Documento apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro ao TSE aponta a exclusão de 499 mensagens do canal de WhatsApp e pede análise dos conteúdos; suspeitas de ocultação de publicações irregulares ainda dependem de avaliação da Justiça Eleitoral
A campanha do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um relatório técnico apontando que o deputado federal André Janones (Rede-MG) apagou 499 publicações do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, em meio à disputa judicial envolvendo a divulgação de conteúdos políticos durante o segundo turno das eleições de 2026.
Segundo a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro, o levantamento foi elaborado a partir do monitoramento das atividades do canal, incluindo o espelhamento das mensagens publicadas para preservar registros mesmo após eventuais exclusões.
O documento apresentado à Justiça Eleitoral afirma que uma em cada três mensagens divulgadas entre os dias 8 de setembro e 12 de outubro foi posteriormente apagada. Ao todo, os advogados identificaram 499 conteúdos excluídos durante o período analisado.
A defesa do candidato do PL sustenta que parte dessas exclusões pode ter servido para ocultar publicações consideradas falsas, ofensivas ou potencialmente irregulares, especialmente aquelas relacionadas a propostas atribuídas a Flávio Bolsonaro.
Entre os conteúdos questionados estão mensagens sobre possíveis cortes em benefícios sociais e outras medidas atribuídas ao candidato. A campanha argumenta que determinadas informações divulgadas no canal não correspondiam às propostas apresentadas pelo senador.
O relatório também descreve uma estratégia de disseminação de mensagens em outras plataformas digitais. Conforme os registros apresentados pelos advogados, Janones orientava participantes do canal a compartilhar determinados conteúdos em suas redes sociais antes da exclusão das publicações originais.
De acordo com a documentação, o próprio parlamentar justificava algumas exclusões como uma maneira de evitar o acúmulo de mensagens no canal. A equipe jurídica de Flávio, entretanto, questiona essa explicação e solicita que a Justiça Eleitoral examine o contexto das publicações apagadas.
A controvérsia ocorre após uma série de decisões judiciais envolvendo o funcionamento do “Exército do Lula”. O canal tornou-se alvo de questionamentos da campanha de Flávio Bolsonaro, que aponta possíveis irregularidades na divulgação de informações durante a disputa presidencial.
Com a apresentação do levantamento, os advogados buscam ampliar a análise do TSE sobre o conteúdo divulgado e posteriormente excluído. O material poderá ser considerado pela Justiça Eleitoral na avaliação de eventuais infrações, respeitando o direito de manifestação e defesa dos envolvidos.
Até o momento, as alegações sobre a intenção de ocultar fake news representam a interpretação da campanha de Flávio Bolsonaro e não uma conclusão definitiva da Justiça Eleitoral. O caso permanece sujeito à análise do TSE, incluindo eventuais esclarecimentos de André Janones e novas decisões sobre as publicações investigadas.
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