Pacote prevê ampliar o teto de faturamento do MEI para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de medidas para renegociar dívidas, em meio a dados de alta carga tributária e inadimplência empresarial
A apenas 12 dias do segundo turno, Lula tenta se aproximar dos microempreendedores individuais com um pacote de medidas que inclui a ampliação do teto de faturamento do MEI para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de medidas de renegociação de dívidas, numa ofensiva eleitoreira.
O problema para o governo é que a promessa de alívio chega depois de um período marcado por aumento da arrecadação e maior pressão sobre o sistema tributário.
Segundo o Tesouro Nacional, a carga tributária bruta brasileira alcançou 32,40% do PIB em 2025, alta de 0,18 ponto percentual em relação a 2024.
Ao mesmo tempo, o ambiente empresarial continua extremamente pressionado: dados da Serasa Experian mostram que 9,2 milhões de empresas estavam inadimplentes em julho de 2026, com dívidas que somavam R$ 238,6 bilhões, sendo 8,7 milhões de micro e pequenas empresas nessa situação.
No campo das recuperações judiciais, o quadro também chama atenção: levantamento atualizado até outubro aponta 755 pedidos capturados desde janeiro de 2026 e 6.873 empresas em recuperação judicial no terceiro trimestre, enquanto dados do Monitor RGF-Bizdoc registraram 6.341 empresas nessa situação ao final do primeiro semestre, alta de 6,2% sobre o fim de 2025, com destaque para o avanço entre microempresas.
Diante desses números, o pacote anunciado por Lula pode até representar algum alívio para os MEIs, mas também abre espaço para uma cobrança inevitável: se o governo agora quer posar de aliado do pequeno empreendedor, por que o setor chega à reta final do mandato enfrentando uma carga tributária maior, milhões de empresas inadimplentes e milhares de companhias recorrendo à recuperação judicial?
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação
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