DE OLHO NO VOTO EVANGÉLICO, LULA AFIRMA QUE FIM DA ESCALA 6X1 DARÁ MAIS TEMPO PARA FREQUENTAR IGREJAS

REDAÇÃO

Em carta direcionada às famílias evangélicas, presidente associa o fim da escala 6×1 à possibilidade de frequentar igrejas, enquanto opositores acusam o governo de explorar eleitoralmente a pauta trabalhista e a fé religiosa

A nova investida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar conter sua alta rejeição entre os evangélicos gerou forte reação de lideranças religiosas e parlamentares da oposição.
Em um documento intitulado “Carta para as Famílias Evangélicas Brasileiras”, lançado na reta final do segundo turno, o petista associou diretamente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a jornada 6×1 à vida religiosa, afirmando que a mudança dará aos trabalhadores mais tempo “para ir à igreja”.
Para críticos, o movimento representa uma clara e desesperada instrumentalização da fé com objetivos puramente eleitorais.
Analistas políticos e opositores apontam que o aceno de Lula ignora os debates técnicos e os impactos econômicos da proposta para focar em uma narrativa puramente emocional:
– Uso da máquina e da fé: Deputados da bancada evangélica acusaram o Palácio do Planalto de tentar “comprar” o apoio do segmento de forma artificial, utilizando uma pauta trabalhista controversa para fazer pregação eleitoral dentro dos templos.
– Contradição econômica: Enquanto Lula promete mais tempo de descanso e lazer aos fiéis na carta, o mercado financeiro e representantes do comércio alertam que o fim abrupto da escala 6×1 pode provocar demissões em massa e inflação, prejudicando severamente a renda dessas mesmas famílias trabalhadoras.
– Recuo sobre as bets: O texto também tenta limpar a imagem do governo ao prometer o fim das apostas online (bets), uma reação tardia a um problema que explodiu nos últimos anos sob a conivência e a demora de regulamentação da própria gestão petista.
Com o eleitorado evangélico consolidado majoritariamente em torno de Flávio Bolsonaro (PL), a oposição ironizou o documento, classificando-o como um “recibo de desespero” de uma campanha que tenta, de última hora, suavizar a imagem de um governo amplamente rejeitado pelo eleitorado conservador.
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