Mensagens atribuídas a Roberta Luchsinger indicam que ela queria usar uma foto de Lulinha com o presidente em viagem oficial para reforçar sua influência junto a empresário da Unigel, em meio a negócios envolvendo Petrobras e BNDES
Mensagens reveladas no caso envolvendo a lobista Roberta Luchsinger levantam novos questionamentos sobre a utilização da proximidade com o presidente Lula como instrumento de influência empresarial e política.
Luchsinger, que tratava Lulinha como seu sócio em conversas, pediu autorização para enviar a um empresário da Unigel uma foto inédita dele ao lado do pai durante uma viagem oficial à Europa, justamente para reforçar sua imagem de acesso ao presidente.
A própria lobista afirmou que queria “se exibir” e sugeriu dizer ao empresário que Lulinha estaria “acompanhando o presidente em agenda internacional”, ao que ele respondeu em tom de brincadeira.
O episódio ganha peso porque Luchsinger havia sido contratada pelo empresário Leo Slezynger para representá-lo junto à Petrobras e ao BNDES, enquanto recebeu pelo menos R$ 1,26 milhão entre março de 2023 e julho de 2024.
Naquele período, ela também teria orientado o empresário a convidar Lulinha para atuar como conselheiro de um fundo de investimentos ambientais, enquanto a Petrobras posteriormente assinou contrato com a Unigel que acabou desfeito após apontamentos do TCU sobre risco de prejuízo à estatal.
As mensagens, portanto, expõem uma relação que vai muito além de uma simples fotografia familiar: revelam como a imagem de proximidade de Lulinha com o presidente da República poderia ser utilizada para impressionar empresários e abrir portas em negócios que envolviam grandes empresas e órgãos públicos, colocando novamente sob escrutínio o uso da influência e do sobrenome presidencial nos bastidores empresariais.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação
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