GOLPE NOS TRABALHADORES? BASE DE LULA PREPARA MUDANÇAS NO FIM DA ESCALA 6X1 APÓS ELEIÇÕES

REDAÇÃO

Texto atribui ao governo e à base aliada a articulação de uma PEC paralela para criar exceções ao fim da escala 6×1 após o segundo turno, levantando dúvidas sobre o alcance da proposta e seus efeitos para os trabalhadores

BRASÍLIA — O Palácio do Planalto e a base governista no Congresso já preparam uma manobra de recuo para alterar os efeitos do fim da escala 6×1 logo após o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais.
Utilizada de forma intensa como principal trunfo eleitoral e plataforma de apelo popular na reta final da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, a proposta será desidratada por meio de uma PEC paralela para excluir diversos setores produtivos da nova regra.
O texto de ajuste já está sendo elaborado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) em articulação direta com a liderança do governo.
O movimento escancara o pragmatismo eleitoral da campanha petista: enquanto a militância engaja as redes sociais e enche as ruas defendendo o fim irrestrito da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso, os articuladores políticos admitem nos bastidores o forte impacto fiscal da medida e cedem à pressão das confederações patronais.
Setores excluídos e o risco de esvaziamento da medida
A estratégia de fatiar a aplicação da nova lei visa estancar o pânico no mercado e evitar uma disparada na inflação de serviços, mas corre o risco de desfigurar por completo o projeto original defendido pela base de esquerda.
Entre os principais pontos da articulação negativa para os trabalhadores estão:
– Exclusão de categorias inteiras: A PEC paralela deve abrir brechas para manter jornadas de exceção em setores estratégicos como comércio, saúde, logística, gastronomia, além de regimes especiais como de petroleiros e aeronautas.
– Aprovação rápida sob conveniência: Para não atrapalhar o discurso de campanha de Lula na reta final, a base governista no Senado acelerou a aprovação do texto idêntico ao da Câmara sem nenhum veto imediato. A fatura dos “remendos” e concessões ao empresariado foi adiada propositalmente para o dia seguinte ao pleito.
– Frustração das expectativas: Interlocutores do Congresso avaliam que a mudança pós-eleitoral gerará um desgaste severo de credibilidade para o governo com sua própria base eleitoral, que pode se sentir traída ao descobrir que o fim da escala 6×1 não valerá para uma parcela expressiva do funcionalismo privado.
O recuo planejado expõe a encruzilhada de Lula, que recorreu a uma pauta de forte impacto social para tentar furar o teto de votos nas pesquisas, mas agora se vê obrigado a arquitetar o desmonte da própria bandeira para garantir a governabilidade e acalmar o setor produtivo.
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