EX-ROTA, SENADOR DERRITE PODE COMANDAR SEGURANÇA PÚBLICA CASO FLÁVIO BOLSONARO SEJA ELEITO

REDAÇÃO

Flávio Bolsonaro afirma que pretende adotar medidas mais rígidas contra a criminalidade e discute propostas para o setor com Guilherme Derrite, cotado para assumir o Ministério da Segurança Pública em um eventual governo do candidato do PL

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, durante evento de campanha em São Paulo, que pretende implementar no Brasil um modelo de segurança pública ainda mais rígido que o adotado em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele. A declaração foi feita durante o Grande Encontro do Associativismo, realizado no Clube Atlético Monte Líbano.
“Aqueles que acham que eu sou radical na segurança pública não viram nada ainda”, declarou Flávio, ao defender mudanças profundas na política de combate à criminalidade. O presidenciável afirmou que as medidas aplicadas pelo governo salvadorenho serão pouco diante das propostas que pretende colocar em prática caso seja eleito.
Entre as principais medidas apresentadas está a criação de mais de 500 mil vagas no sistema penitenciário brasileiro. A proposta busca ampliar a capacidade de encarceramento e permitir que criminosos condenados permaneçam presos por períodos mais longos, reduzindo a pressão provocada pela falta de vagas nas unidades prisionais.
Flávio também defende o endurecimento das regras de cumprimento de penas, com ampliação do tempo de permanência em regime fechado. Outra proposta mencionada é a castração de condenados por crimes sexuais, medida que exigiria alterações legislativas e enfrentaria discussões sobre sua constitucionalidade.
Durante o evento, o candidato confirmou que já está discutindo os planos de segurança pública com Guilherme Derrite, senador eleito por São Paulo, capitão da reserva da Polícia Militar e ex-integrante da ROTA, unidade especializada da corporação paulista.
Derrite é apontado como um dos nomes cotados para assumir o Ministério da Segurança Pública em um eventual governo Flávio Bolsonaro. A possibilidade de recriação de uma pasta específica para o setor já vinha sendo discutida pelos dois políticos, que defendem maior prioridade federal no enfrentamento ao crime organizado.
O senador eleito ganhou projeção nacional durante sua passagem pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, entre 2023 e 2025. Sua gestão foi marcada pela defesa de operações policiais, pela redução de determinados indicadores de roubos e por controvérsias relacionadas ao aumento da letalidade policial.
A aproximação entre Flávio e Derrite indica a intenção de construir uma política nacional de segurança baseada no endurecimento penal, na ampliação do sistema penitenciário e no fortalecimento das forças policiais. A implementação dessas propostas, entretanto, dependeria de recursos públicos, aprovação de medidas pelo Congresso e respeito às garantias constitucionais.
A referência a El Salvador também coloca em discussão a experiência do presidente Nayib Bukele, cujo governo promoveu prisões em larga escala e registrou uma expressiva redução dos homicídios, mas recebeu críticas de organizações internacionais por denúncias de detenções arbitrárias e violações de direitos humanos.
Com a segurança pública entre os temas da disputa presidencial, Flávio Bolsonaro busca apresentar propostas de enfrentamento à criminalidade e associa Guilherme Derrite à elaboração de seu programa para o setor. A eventual indicação do senador ao ministério dependerá do resultado das eleições e das decisões tomadas na formação de um futuro governo.
Foto: Divulgação
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