Estimativas apontam que a alíquota combinada da CBS, calculada em 11,3%, e do IBS, projetado em 18,7%, poderá chegar a 30%, colocando o Brasil no topo do ranking mundial de tributação padrão sobre o consumo
A reforma tributária conduzida pelo governo Lula caminha para transformar o Brasil no país com o maior imposto sobre o consumo do mundo, em um cenário que promete pesar diretamente no bolso de empresas e consumidores.
O Tribunal de Contas da União (TCU) calculou em 11,3% a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), acima da estimativa inicial do próprio governo, que trabalhava com uma faixa entre 9% e 9,5%, e, somada aos 18,7% estimados para o IBS, a carga do IVA dual poderá chegar a 30%.
Se confirmada, a alíquota colocará o Brasil à frente da Hungria e de outros países no ranking mundial de tributação sobre o consumo, segundo a PwC, desmontando a promessa de uma reforma capaz de simplificar o sistema sem ampliar a carga tributária.
O dado preocupa especialmente porque a cobrança efetiva da CBS começa em janeiro de 2027 e deverá influenciar custos, preços e decisões de investimento, enquanto as exceções e benefícios concedidos a determinados setores ajudam a explicar por que a alíquota geral precisa ser tão elevada para preservar o nível de arrecadação.
Na prática, o que foi apresentado como modernização do sistema tributário corre o risco de se transformar em mais uma conta para o brasileiro pagar, com uma das maiores cargas sobre o consumo do planeta e novos obstáculos para quem produz, empreende e tenta manter os preços sob controle.
📝 Texto: Rodolfo Oliveira
📸 Foto: Divulgação
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