Presidente avalia manter o nome de Jorge Messias, que enfrenta resistência no Senado, ou indicar Rodrigo Pacheco, visto por aliados como uma alternativa com maior capacidade de articulação política para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula para anunciar ainda em novembro de 2026 o nome que indicará ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ocupar a vaga aberta após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso. A movimentação ocorre nos bastidores do Palácio do Planalto, que busca aproveitar o cenário político após as eleições presidenciais para avançar nas negociações com o Senado Federal.
Dois nomes concentram as discussões no entorno do presidente: Jorge Messias, atual ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), e Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado e atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Ambos já apareceram nas articulações anteriores para a composição do Supremo, mas enfrentam cenários políticos distintos.
Messias continua sendo o nome preferido de uma ala mais próxima de Lula, que defende sua indicação pela relação de confiança construída com o presidente. Entretanto, sua escolha enfrenta resistência no Senado, especialmente depois da rejeição de seu nome pelo plenário em abril, o que tornou mais delicada a possibilidade de uma nova tentativa.
Aliados do presidente avaliam que insistir em Messias poderia provocar desgaste político e dificultar a relação do governo com os senadores. A preocupação é evitar uma nova derrota em uma votação que exige maioria absoluta dos integrantes da Casa para a aprovação do indicado.
Nesse cenário, Rodrigo Pacheco ganhou força como alternativa. Por ter presidido o Senado, o ex-parlamentar mantém interlocução com diferentes grupos políticos e é visto por setores do governo como um nome capaz de reduzir resistências e facilitar a construção de um acordo institucional.
Pacheco também conta com o apoio de ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Nos bastidores, sua eventual indicação é apresentada como uma possibilidade de ampliar o consenso entre o Planalto, o Judiciário e o Congresso Nacional.
A escolha, porém, depende de uma articulação política mais ampla, especialmente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O governo considera fundamental construir um entendimento com a liderança da Casa antes de formalizar a indicação, já que caberá aos senadores sabatinar e votar o nome escolhido por Lula.
As conversas também envolvem o cenário da eleição para a presidência do Senado e a composição da Mesa Diretora, prevista para fevereiro de 2027. A disputa pelo comando da Casa pode influenciar as negociações, uma vez que o Planalto busca fortalecer sua relação com Alcolumbre e garantir condições políticas para a aprovação do indicado.
A vaga no Supremo representa uma decisão de grande peso para o governo, considerando a influência da Corte em temas constitucionais, institucionais e políticos. Por isso, a escolha não envolve apenas a preferência pessoal de Lula, mas também a capacidade do indicado de reunir apoio suficiente no Senado.
A expectativa é que Lula avance nas conversas ao longo de novembro e defina se manterá Jorge Messias como sua aposta ou se escolherá Rodrigo Pacheco para tentar reduzir resistências políticas. Até o anúncio oficial, os dois nomes seguem no centro das articulações, enquanto o governo procura evitar um novo confronto com o Senado em torno de uma indicação ao STF.
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