Crise envolvendo o Ueno Bank, suspeitas de irregularidades financeiras e questionamentos sobre a relação de Peña com a instituição teriam motivado a ofensiva política que, segundo o texto, culminou na aprovação do impeachment pelo Senado
O Senado do Paraguai aprovou o impeachment e destituiu o presidente Santiago Peña, em uma decisão que provocou uma reviravolta política no país. A queda do mandatário ocorreu em meio a uma grave crise financeira envolvendo o Ueno Bank, instituição ligada a ex-sócios do presidente e que administrava bilhões de dólares em recursos públicos.
O escândalo ganhou proporções ainda maiores após a quebra do Ueno Bank, que teria deixado depósitos de quase metade da população paraguaia e de milhares de brasileiros residentes no país congelados. A instituição também administrava recursos do Instituto de Previsão Social (IPS), responsável pelo sistema de previdência paraguaio.
Um dos pontos mais delicados do caso envolve a relação de Santiago Peña com a instituição financeira. Segundo as informações divulgadas, o presidente manteve participação no banco até março de 2025, circunstância que levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e favorecimento.
A crise também atingiu diretamente a imagem do governo, diante das suspeitas de enriquecimento ilícito, tráfico de influência e utilização da estrutura pública em benefício próprio. As acusações ampliaram a pressão política sobre Peña e fortaleceram os pedidos de afastamento.
Na tentativa de evitar a destituição, Santiago Peña apresentou uma carta de renúncia na quinta-feira. A estratégia, entretanto, não surtiu efeito: a Câmara dos Deputados rejeitou o documento por unanimidade e decidiu dar prosseguimento ao processo de impeachment.
Durante o julgamento político, a defesa do presidente tentou ampliar os prazos para apresentar seus argumentos, mas os pedidos foram rejeitados pelo Senado. Os parlamentares validaram as provas apresentadas e deram continuidade à votação que resultou na perda do mandato por mau desempenho das funções.
A decisão representa um dos episódios mais graves da história política recente do Paraguai, especialmente pelo envolvimento de uma instituição financeira que administrava recursos públicos e fundos previdenciários. O caso expôs a dimensão da crise de confiança nas autoridades e no sistema financeiro do país.
Com a destituição de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assume o comando do Executivo paraguaio. Ele próprio também enfrentou um pedido de impeachment, mas a iniciativa foi rejeitada pela Câmara dos Deputados, permitindo sua permanência na linha sucessória.
Outro desdobramento importante é a perda da prerrogativa de senador vitalício por Santiago Peña. Com a condenação política, ele também perde a imunidade associada a essa condição e poderá responder na Justiça comum pelas acusações relacionadas ao escândalo financeiro.
A queda de Santiago Peña encerra, portanto, um capítulo de forte instabilidade no Paraguai e abre uma nova etapa de incertezas políticas e econômicas. O episódio deixa questionamentos sobre a fiscalização dos recursos públicos, a responsabilidade das autoridades e os impactos da crise sobre a população paraguaia.
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