FACHIN HOMOLOGA DELAÇÃO DE EX-DONO DA REAG E CASO MASTER PODE GANHAR NOVOS DESDOBRAMENTOS

REDAÇÃO

João Carlos Mansur firmou acordo com a PGR, que prevê pagamento de cerca de R$ 40 milhões e reúne 17 anexos com informações sobre supostos crimes financeiros, movimentações no exterior e possíveis conexões políticas envolvendo o Banco Master

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta sexta-feira (6) a delação premiada de João Carlos Mansur, empresário e fundador da Reag DTVM, investigado no escândalo do Banco Master. O acordo foi firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e agora abre caminho para o avanço das investigações sobre as operações financeiras envolvendo a instituição.
Para conseguir a homologação, Mansur se comprometeu a pagar aproximadamente R$ 40 milhões em multas e apresentou 17 anexos com informações sobre supostos esquemas de crimes financeiros. O material entregue às autoridades reúne depoimentos, documentos e detalhes de operações que poderão contribuir para identificar outros envolvidos no escândalo.
Entre os pontos mais delicados da colaboração estão relatos sobre a movimentação de recursos financeiros para o exterior, por meio de empresas offshore e estruturas de fundos de investimento. As informações podem ajudar os investigadores a reconstruir o caminho do dinheiro e identificar possíveis beneficiários das operações.
A delação também apresenta informações sobre operadores econômicos e possíveis conexões políticas relacionadas ao esquema investigado. A expectativa é que os documentos entregues à PGR permitam aprofundar as apurações e esclarecer quem participou das operações e qual teria sido o papel de cada envolvido.
Um dos nomes que podem ser diretamente afetados pelas revelações é Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo informações divulgadas pela imprensa, os relatos de Mansur trazem novos elementos sobre as operações financeiras envolvendo o banco e podem ampliar o alcance das investigações.
A Reag DTVM, fundada por Mansur, também entrou no centro das apurações. A instituição foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em janeiro, após a identificação de problemas e de conexões investigadas no contexto das operações relacionadas ao Banco Master.
A investigação também envolve a operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master. Além disso, a Reag apareceu no contexto da operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro do crime organizado no setor de combustíveis.
Outro ponto importante foi a mudança na condução do Caso Master no STF. As investigações, que estavam sob a relatoria do ministro André Mendonça, passaram para a presidência de Edson Fachin em setembro, em meio a impasses e questionamentos sobre a condução dos processos.
A Procuradoria-Geral da República também demonstrou preocupação com a preservação de ativos financeiros que podem ser utilizados para reparar eventuais prejuízos aos cofres públicos. Por isso, pediu urgência na análise do acordo, diante do risco de desvalorização ou movimentação de recursos que possam servir para ressarcimento.
Com a delação homologada, o Caso Master entra em uma nova fase, marcada pela expectativa sobre o conteúdo dos 17 anexos e os possíveis desdobramentos das revelações. As informações ainda precisam ser investigadas e confrontadas com outras provas, mas podem ampliar a identificação de responsáveis e esclarecer a dimensão das suspeitas envolvendo o banco e seus operadores.
Foto: Divulgação