Ex-presidente paraguaio foi transferido para uma unidade de alta segurança em Assunção após protestos e confrontos em frente à sua residência; investigação sobre suspeitas de irregularidades envolvendo o Ueno Bank segue em andamento
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi transferido na madrugada deste sábado (7) de sua residência, em Assunção, para uma unidade militar de alta segurança, após uma série de protestos e confrontos nas proximidades do imóvel onde cumpria prisão domiciliar. A operação foi realizada por um comboio do Exército em meio a um forte esquema de segurança.
A transferência ocorreu poucas horas depois da decisão que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente, em meio à crise política desencadeada pelo escândalo envolvendo o Ueno Bank. Peña havia sido destituído do cargo por meio de um processo de impeachment, aumentando a instabilidade política no país.
O destino de Santiago Peña foi o Regimento de Escolta Presidencial (REP), uma instalação militar localizada em Assunção e utilizada para operações de segurança de autoridades. A mudança de local foi motivada, segundo as informações divulgadas, pela necessidade de garantir a integridade física do ex-presidente diante da escalada dos protestos.
Manifestantes se concentraram em frente à residência de Peña, no bairro de Mbocayaty, exigindo que ele fosse encaminhado para uma penitenciária comum. A mobilização ganhou intensidade durante a noite e avançou pela madrugada, provocando momentos de tensão entre os participantes e as forças policiais.
Durante a saída do comboio, moradores e manifestantes lançaram ovos e pedras contra os veículos que transportavam o ex-presidente. Também foram registrados insultos e manifestações de hostilidade contra Peña, que deixou o imóvel acompanhado por uma escolta militar.
A revolta popular está relacionada à crise política e às suspeitas envolvendo o Ueno Bank, caso que provocou questionamentos sobre a condução das instituições paraguaias. O episódio ampliou a pressão sobre as autoridades e colocou o ex-presidente no centro de uma das maiores crises políticas recentes do país.
A decisão de transferir Peña para uma instalação militar também provocou questionamentos entre manifestantes, que defendem que ele seja submetido ao mesmo sistema prisional aplicado aos demais investigados. A utilização de uma estrutura militar como local de custódia passou a integrar o debate em meio à tensão política.
Além da transferência, Santiago Peña deverá prestar depoimento perante a Promotoria de Delitos Econômicos e Anticorrupção. As investigações mencionadas envolvem suspeitas de abuso de confiança, tráfico de influência e peculato, acusações que ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.
A expectativa é que o depoimento contribua para esclarecer a participação do ex-presidente nos fatos investigados e identificar possíveis responsabilidades no escândalo. O andamento do procedimento poderá trazer novos desdobramentos para a crise que atinge o cenário político paraguaio.
Enquanto isso, a transferência para a unidade militar mantém Santiago Peña sob forte esquema de segurança, em um momento de crescente pressão popular e repercussão internacional. O caso do Ueno Bank, o impeachment e os protestos em frente à residência do ex-presidente colocam o Paraguai diante de um cenário de grande instabilidade institucional.
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