Segundo informações atribuídas à apuração do UOL, ministro participaria de articulações para favorecer a permanência de Davi Alcolumbre na presidência do Senado, diante do receio de que a nova composição da Casa fortaleça pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é apontado como uma das principais figuras de uma articulação de bastidores para favorecer a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à presidência do Senado Federal, em fevereiro de 2027. Segundo informações atribuídas à apuração do UOL, integrantes da Corte estariam mobilizados para garantir a permanência do senador no comando da Casa.
A movimentação teria como principal preocupação o fortalecimento da oposição no Senado após as eleições de outubro de 2026. Com uma nova composição parlamentar, ministros do STF temeriam que pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo ganhassem força política e avançassem na Casa Legislativa.
Nesse cenário, Alcolumbre seria considerado uma espécie de escudo político para os ministros do Supremo. Sua permanência na presidência do Senado poderia representar um obstáculo ao avanço de processos de impeachment contra integrantes da Corte.
Alexandre de Moraes aparece como um dos nomes centrais dessa articulação devido à sua proximidade com Alcolumbre. O ministro teria mantido interlocuções políticas em outros momentos de crise envolvendo o senador, inclusive em conversas relacionadas ao governo federal.
As articulações também envolveriam parlamentares que possuem investigações criminais, processos judiciais pendentes ou situações jurídicas que dependem de decisões do Supremo Tribunal Federal. Esse grupo seria considerado estratégico para a construção de apoio à permanência de Alcolumbre.
Outro aspecto apontado nas informações é a utilização de intermediários para transmitir recados entre ministros e parlamentares. Advogados conhecidos que atuam em Brasília seriam utilizados como canais de interlocução, evitando encontros diretos e reduzindo a exposição das conversas.
De acordo com os relatos atribuídos aos bastidores, não existiriam ameaças explícitas, mas possíveis entendimentos políticos informais. A dinâmica envolveria interesses distintos entre parlamentares preocupados com suas situações jurídicas e ministros interessados em evitar processos de impeachment.
A possível participação de Alexandre de Moraes nesse cenário chama atenção por envolver diretamente a relação entre integrantes do Poder Judiciário e lideranças do Congresso Nacional. A situação também levanta questionamentos sobre os limites da atuação institucional de ministros em disputas políticas do Legislativo.
Alcolumbre também conta com o apoio político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem interesse na manutenção de uma presidência do Senado com a qual o governo consiga manter diálogo. A eventual reeleição do senador, portanto, envolveria uma combinação de interesses políticos e institucionais.
O episódio evidencia a importância da disputa pelo comando do Senado em 2027, especialmente diante da possibilidade de mudanças na correlação de forças entre governo e oposição. Caso as articulações atribuídas aos bastidores se confirmem, Alexandre de Moraes e outros integrantes do STF poderão ter papel relevante em uma disputa que ultrapassa a escolha do próximo presidente da Casa e envolve diretamente o futuro da relação entre os Poderes.
Foto: STF