Ex-presidente foi ouvido neste sábado (7) em investigação sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento ao Ueno Bank; promotores também apuram o possível direcionamento de US$ 850 milhões em recursos da Previdência pública à instituição financeira
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, compareceu à sede do Ministério Público, em Assunção, neste sábado (7), para prestar depoimento no âmbito das investigações que envolvem suspeitas de corrupção e irregularidades financeiras relacionadas ao Ueno Bank. A oitiva ocorre um dia após sua destituição por impeachment e a decretação de sua prisão, em meio a uma grave crise política e institucional no país.
Após ter a prisão decretada, Peña passou a noite sob custódia militar no Regimento de Escolta Presidencial (REP). A transferência para a unidade militar ocorreu depois que manifestações em frente à sua residência inviabilizaram sua permanência em prisão domiciliar. A situação aumentou a pressão popular sobre as autoridades paraguaias, que enfrentam cobranças por medidas mais rigorosas contra os envolvidos no escândalo financeiro.
O Ministério Público investiga o ex-presidente por possíveis crimes de lesão à confiança, tráfico de influência, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e administração em proveito próprio. Os investigadores buscam esclarecer se Peña utilizou sua influência política para favorecer interesses privados durante o período em que esteve à frente do governo paraguaio.
Um dos principais pontos da investigação envolve a relação de Peña com a holding do Ueno Bank. O ex-presidente teria sido investidor ligado ao grupo financeiro até março de 2025. Agora, os promotores querem esclarecer se essa relação influenciou decisões do governo e possíveis medidas que beneficiaram a instituição financeira antes de sua insolvência.
As autoridades também apuram o suposto direcionamento de aproximadamente R$ 4,5 bilhões, equivalentes a US$ 850 milhões, em recursos da Previdência pública para o Ueno Bank. A suspeita é de que tenha ocorrido uma intervenção indevida para favorecer a instituição privada, além de possíveis omissões na fiscalização exercida pelo Banco Central do Paraguai.
Outro ponto que está no centro dos questionamentos é a nomeação de Carlos Carvallo Spalding para comandar o Banco Central paraguaio, em 2023. Antes de assumir o cargo público, Carvallo ocupava a presidência-executiva do Ueno Bank. Ele também teve a prisão decretada, e os investigadores querem esclarecer as circunstâncias de sua indicação e sua possível participação nas irregularidades investigadas.
Enquanto Santiago Peña prestava esclarecimentos, grupos de manifestantes se concentraram nas proximidades da sede do Ministério Público, em Assunção. Os protestos foram motivados pelas suspeitas de fraudes financeiras e pelo impacto do caso sobre os recursos da Previdência pública. Parte dos manifestantes exige que o ex-presidente seja transferido para uma penitenciária comum.
A crise envolvendo o Ueno Bank ganhou grandes proporções no Paraguai e passou a representar um dos principais escândalos financeiros e políticos do país. A investigação procura identificar possíveis beneficiários das operações, esclarecer a origem e o destino dos recursos movimentados e determinar se integrantes do governo utilizaram suas posições para favorecer interesses particulares.
O Ministério Público informou que continuará reunindo documentos, ouvindo envolvidos e analisando provas para aprofundar as apurações. Também existe a possibilidade de solicitar cooperação internacional aos Estados Unidos e a Luxemburgo, com o objetivo de rastrear eventuais movimentações financeiras e patrimônio que possam estar relacionados aos investigados fora do território paraguaio.
O depoimento de Santiago Peña representa mais uma etapa de um caso que abalou as estruturas políticas e financeiras do Paraguai. As autoridades agora buscam esclarecer a dimensão das possíveis irregularidades, identificar responsabilidades individuais e verificar se houve desvio de recursos públicos. O avanço das investigações poderá trazer novos desdobramentos e ampliar a lista de pessoas envolvidas no escândalo do Ueno Bank.
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