Novo advogado de Daniel Vorcaro procura PF e indica colaboração ampla em investigação bilionária
O advogado José Luís Oliveira Lima, que assumiu recentemente a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, procurou a Polícia Federal para sinalizar o interesse em negociar um acordo de delação premiada. De acordo com informações apuradas junto a fontes oficiais da PF, o criminalista afirmou que Vorcaro estaria disposto a realizar uma delação séria e completa, sem poupar nenhum dos envolvidos e entregando todas as informações de que dispõe sobre o caso.
A movimentação ocorre em um momento delicado das investigações. Daniel Vorcaro está preso preventivamente na Penitenciária Federal de Brasília desde o dia 4 de março de 2026, após a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A ação apura suspeitas de fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro, obstrução de justiça e formação de uma suposta milícia privada para intimidar opositores e testemunhas, além de outras irregularidades ligadas ao Banco Master.
A troca de advogado aconteceu no dia 13 de março de 2026, mesmo dia em que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria para manter a prisão preventiva de Vorcaro. O anterior defensor, Pierpaolo Bottini, deixou o caso por motivos pessoais e substabeleceu a procuração para José Luís Oliveira Lima, conhecido no meio jurídico como Juca. Oliveira Lima tem um histórico de atuação em negociações de colaboração premiada, incluindo delações em desdobramentos da Operação Lava Jato, como a do ex-presidente da empreiteira OAS, Léo Pinheiro. Ele também já defendeu figuras como o ex-ministro José Dirceu e o general Walter Braga Netto em processos de grande repercussão.
A entrada do novo advogado foi interpretada nos bastidores como um indicativo claro de que Vorcaro avalia seriamente a possibilidade de colaborar com as autoridades. Oliveira Lima já declarou publicamente que considera a delação premiada um legítimo meio de defesa. Além disso, ele se reuniu na terça-feira, 17 de março de 2026, com o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, para discutir aspectos relacionados ao processo e à eventual colaboração.
Investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República têm enfatizado que só aceitariam uma delação completa e robusta, com entrega de provas concretas e sem seletividade ou omissões. Sondagens iniciais por parte de interlocutores de Vorcaro sobre uma colaboração mais limitada, que poupasse certas autoridades ou relações, teriam sido rechaçadas. A PF reforça que o delator não pode escolher quem delatar, e qualquer tentativa de proteção ou mentira detectada colocaria em risco o acordo inteiro.
A prisão preventiva tem sido vista como um fator que aumenta as chances de uma colaboração efetiva, já que a manutenção da detenção pressiona o investigado a buscar benefícios como redução de pena ou regime mais brando. Por outro lado, uma eventual soltura pelo STF poderia arrefecer o interesse em negociar, segundo avaliações internas da Polícia Federal.
Até o momento, não há confirmação oficial de que o acordo de delação tenha sido formalizado ou fechado. O que existe é a sinalização inicial feita pelo advogado à PF, o que já gerou repercussão em veículos de imprensa e movimentou o noticiário político e jurídico. O caso Banco Master continua atraindo atenção por envolver supostas relações amplas com o poder econômico e político, e uma eventual delação completa de Vorcaro poderia trazer revelações significativas sobre o esquema investigado.
A defesa de Vorcaro, por meio de José Luís Oliveira Lima, segue avaliando os próximos passos, enquanto as autoridades avançam nas apurações da Operação Compliance Zero. O desenrolar dessa negociação pode marcar um ponto de virada importante no processo.
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