Caso envolvendo ofensas a André Fernandes segue sob investigação e levanta debate sobre limites da expressão
A ativista de esquerda Roberta da Horta, conhecida por suas posições progressistas e militância em pautas sociais, optou pelo silêncio durante depoimento à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados.
O caso remonta a dezembro de 2025, quando Roberta protagonizou um episódio viral no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza. Após desembarcar de um voo vindo de Brasília — no mesmo avião que o deputado federal André Fernandes (PL-CE) —, ela o seguiu pelo saguão, filmando-o com o celular e dirigindo uma série de ofensas graves. Entre os termos usados: “golpista”, “verme”, “otário”, “babaca”, “nojento” e acusações de incentivar violência de gênero, afirmando que “dane-se para as mulheres” e prevendo que ele seria “demitido em 2026”.
A deputada federal Dayany Bittencourt (União Brasil-BA) também foi alvo de parte das agressões verbais no incidente. Roberta, que se apresenta nas redes como estudante de nutrição, educadora popular e defensora de causas como luta contra agrotóxicos e direitos de comunidades tradicionais (identificando-se como afroindígena), justificou parcialmente o ato alegando possuir medidas protetivas e responsabilizando o parlamentar por suposta violência de gênero.
André Fernandes registrou boletim de ocorrência e acionou a Polícia Legislativa da Câmara, manifestando intenção de representar criminalmente contra a ativista e descartando qualquer conciliação.
Nesta terça-feira, 17 de março de 2026, Roberta compareceu ao interrogatório no Centro Integrado de Segurança Pública (CISP), em Fortaleza, mas exerceu seu direito constitucional ao silêncio, sem a presença de advogado constituído. A informação foi revelada na coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo, e rapidamente repercutiu em perfis políticos e veículos de comunicação no Ceará e nacionalmente.
A Polícia Civil do Ceará acompanha o caso desde o registro inicial, com possível enquadramento em crimes como injúria, difamação ou perturbação da tranquilidade, a depender da análise do inquérito e do Ministério Público. Até o fechamento desta matéria, nem Roberta da Horta nem o deputado André Fernandes comentaram publicamente o depoimento em silêncio.
O episódio reacende debates sobre os limites da liberdade de expressão, o uso de filmagens em espaços públicos para fins políticos e o equilíbrio entre protesto e agressão verbal. Críticos apontam para possível intolerância ideológica; apoiadores veem o ato como manifestação legítima contra figuras associadas ao bolsonarismo.
O caso segue em investigação.
Foto: Reprodução/ André Fernandes