Presidente cobra redução maior dos juros em meio a cenário de pressão inflacionária e desafios fiscais
O presidente Lula (PT) voltou a criticar abertamente o Banco Central pela decisão do Copom de reduzir a Selic em apenas 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano, o primeiro corte em quase dois anos, mas considerado mínimo pelo petista, que exclamou frustrado: “Porra, essa guerra até no BC?”, referindo-se à guerra no Oriente Médio que elevou preços do petróleo e incertezas globais.
Lula expressou que “poderia estar mais feliz, mas está triste” com o ajuste cauteloso, defendendo um corte maior para baratear o crédito, estimular o consumo e aliviar a pressão sobre a economia real.
A reação revela o desconforto crônico do governo com a independência do BC, mesmo sob uma diretoria majoritariamente indicada pelo Planalto, e ignora que o Copom priorizou a convergência da inflação à meta em meio a choques externos, optando por gradualismo para evitar recaídas inflacionárias que poderiam agravar ainda mais o descontrole fiscal herdado e ampliado no mandato.
Essa pressão por juros mais baixos ocorre exatamente quando o desgoverno do pai Lula acumula um histórico de descontrole fiscal alarmante: o déficit primário de 2025 fechou em torno de R$ 61,7 bilhões, 0,48% do PIB, cumprido apenas com exceções contábeis que excluíram quase R$ 49 bilhões, e projeções para 2026 apontam rombo de até R$ 22-23 bilhões, 0,17% do PIB, marcando o quarto ano consecutivo no vermelho.
A dívida bruta do desgoverno geral explodiu para 78,7% do PIB em 2025, R$ 10 trilhões nominais, com estimativas de chegar a 83,6% em 2026, alta de mais de 7 p.p. desde o início do mandato, superando promessas do arcabouço fiscal.
A carga tributária disparou, com arrecadação federal batendo recordes, R$ 2,65 trilhões em 2024, crescimento real de 9,62%, e picos mensais históricos em 2026, refletindo aumentos de impostos e revisão de incentivos que pesam sobre empresas e famílias.
Enquanto isso, estatais federais registraram rombo recorde de R$ 5-6 bilhões em 2025, com projeções de déficit adicional em 2026; Correios sozinhos precisando de até R$ 8 bilhões extras, agravando o ciclo vicioso de gastos elevados, endividamento crescente e dependência de receitas tributárias recordes sem contrapartida em equilíbrio.
Lula critica o BC por não “ajudar” o crescimento, mas o verdadeiro entrave é o descontrole fiscal que eleva o risco-país, pressiona prêmios de risco e força o BC a manter juros restritivos para ancorar expectativas, um ciclo que o governo alimenta em vez de romper.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
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