Mendonça não aceitará delação “pela metade” de Vorcaro, dizem interlocutores

REDAÇÃO

Ministro do STF sinaliza rejeição a acordo que preserve envolvidos e reforça exigência de colaboração completa nas investigações

Brasília, 20 de março de 2026 – Pessoas próximas ao ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal das investigações sobre as fraudes no Banco Master, afirmam que ele não aceitará uma delação premiada “pela metade” do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo relatos colhidos pela CNN Brasil e pela coluna de Mario Sabino no Metrópoles, Mendonça rejeitaria qualquer acordo que permitisse ao delator proteger outros membros da Corte ou blindar figuras do próprio STF.
A posição firme ocorre em meio ao avanço das negociações. A defesa de Vorcaro, agora conduzida pelo advogado José Luís Oliveira Lima (Juca), já se reuniu com o ministro e procurou a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República para discutir um possível acordo de colaboração. Mendonça autorizou a transferência do banqueiro para a superintendência da PF em Brasília, facilitando os depoimentos, e prorrogou o inquérito por mais 60 dias. No entanto, interlocutores do ministro relatam que ele teria recusado propostas anteriores de advogados que sugeriam entregar apenas um ministro do STF enquanto preservava outro.
O caso expõe o desconforto crescente no sistema político-judicial. Com Vorcaro preso desde o início de março na Operação Compliance Zero e sem nada a perder, a possibilidade de uma delação ampla gera apreensão em Brasília. A recusa a um acordo parcial é vista por críticos como tentativa de Mendonça de preservar a imagem do tribunal, mas também como reconhecimento de que uma colaboração completa poderia revelar conexões incômodas entre o mundo financeiro, o Poder Executivo e a própria Corte, ampliando o escândalo em ano eleitoral.
Foto: TSE