Governo articula estratégia para se desvincular de possível delação de Vorcaro

REDAÇÃO

Planalto orienta aliados a evitarem declarações e busca conter impactos políticos do caso Banco Master em ano eleitoral

Brasília, 20 de março de 2026 – Diante da perspectiva de uma delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito das investigações sobre fraudes bilionárias no Banco Master, o governo federal abriu uma frente de ação para tentar se desvincular do escândalo e neutralizar possíveis repercussões políticas. Vorcaro assinou na noite de quinta-feira (19) um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, formalizando o início das negociações para um acordo de colaboração.
A estratégia, segundo reportagens da CNN Brasil e outros veículos, inclui orientações para que ministros e aliados evitem comentários públicos sobre o caso, além de esforços para associar o crescimento acelerado do Banco Master à gestão anterior do Banco Central, sob Roberto Campos Neto, e emplacar o apelido “Bolsomaster” nos discursos. A preocupação interna refere-se especialmente aos vínculos históricos do banco com a ala baiana do PT, que envolvem nomes como o ministro da Casa Civil Rui Costa e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, ambos ex-governadores da Bahia na época da expansão da instituição.
O Planalto também busca diferenciar o Executivo das investigações que atingem o Supremo Tribunal Federal, com menções a ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Embora a delação ainda não esteja fechada — o ministro André Mendonça prorrogou o inquérito por 60 dias —, a expectativa de que Vorcaro entregue nomes e conexões políticas motiva o movimento preventivo de distanciamento, em um ano marcado pelo calendário eleitoral de 2026.
Foto: Agência Brasil