Decisão identifica indícios de ocultação de patrimônio e movimentações suspeitas no caso Banco Master
A decisão da Justiça de São Paulo, via 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, de reconhecer indícios robustos de desvio de cerca de R$ 2 bilhões, incluindo ocultação em contas ligadas ao pai Henrique Vorcaro e repasses para fundos e empresas familiares, expõe mais uma camada da farra bilionária no Banco Master, onde Daniel Vorcaro e parentes próximos teriam usado laranjas e estruturas offshore para blindar patrimônio antes da liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025.
Um dos bens mais emblemáticos bloqueados é a mansão de US$ 32 milhões, cerca de R$ 166 milhões na época, em Windermere, Flórida, adquirida em fevereiro de 2023 pela empresa Sozo Inc., controlada por Henrique e Natália Vorcaro, irmã de Daniel, em operação classificada como recorde local e suspeita de lavagem via recursos desviados do banco, fato que levou o liquidante EFB a acionar a Justiça americana para congelamento e recuperação.
Essa rede familiar de ocultação, somada a transferências milionárias na véspera da intervenção, como R$ 285 milhões para fundos controlados, reforça a percepção de que o esquema não se limitou ao banqueiro principal, mas envolveu uma operação sofisticada de dilapidação do patrimônio de credores e investidores, com o Judiciário paulista agora agindo para travar alienações e evitar que o rombo, estimado em bilhões, escape à recuperação, em meio a um caso que já abala a confiança no sistema financeiro e expõe falhas crônicas de supervisão que permitiram tal magnitude de fraude.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Divulgação