Ataque em Japeri expõe avanço do crime organizado sobre serviços essenciais e pressão contra empresas que resistem a cobranças ilegais
O incêndio criminoso contra uma empresa de internet em Japeri, na Baixada Fluminense, por traficantes do Comando Vermelho, em retaliação direta à recusa em pagar a “taxa” extorsiva imposta para operar no território, desnuda a capitulação do Estado brasileiro diante do crime organizado que já não se contenta com o tráfico de drogas, mas avança para monopolizar serviços essenciais como internet, gás, transporte e até segurança privada nas periferias.
Enquanto moradores perdem conectividade em meio a apagões e precariedade, o CV transforma infraestrutura civil em alvo de guerra econômica: quem não paga, queima; quem paga, financia o monopólio armado e a perpetuação do terror.
Essa “CV Net”, como já é chamada em várias regiões do Rio, Ceará, Bahia e Pará, revela o fracasso absoluto das políticas de segurança pública: facções lucram mais com extorsão cotidiana do que com cocaína, controlam vidas digitais de milhares e ditam regras onde o poder público sumiu há décadas, deixando empresários honestos entre a falência forçada, a submissão criminosa ou a destruição total.
É o narco-Estado paralelo em plena expansão, onde recusar uma taxa ilegal custa não só o negócio, mas a própria existência do serviço básico que o resto do país considera trivial.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Divulgação