BANCO MASTER MOVIMENTOU R$ 700 MILHÕES EM CONSIGNADOS SOB INVESTIGAÇÃO

REDAÇÃO

Operações com aposentados e pensionistas levantam suspeitas de práticas abusivas e ampliam pressão sobre fiscalização no sistema previdenciário

A revelação de que o Banco Master movimentou mais de R$ 700 milhões em operações de crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS entre 2023 e novembro de 2025, com foco na modalidade Reserva de Cartão Consignado, que embute serviços compulsórios como seguros e auxílio-funeral, expõe a voracidade predatória de instituições financeiras que exploram a vulnerabilidade dos beneficiários previdenciários em um esquema que beira a venda casada e a cobrança indevida sistemática. 
Enquanto a CPMI do INSS avança nas investigações, incluindo quebras de sigilo, convocações de ex-executivos e suspeitas de lavagem de dinheiro via o banco de Daniel Vorcaro, o volume bilionário desviado ou obtido de forma questionável reforça a falência regulatória do sistema: o INSS, que deveria proteger os mais frágeis, permitiu que mais de 4,8 milhões de transações RCC fossem contratadas sem aparente controle rigoroso de consentimento ou adequação, perpetuando uma farra que enriquece banqueiros às custas de aposentados apertados financeiramente. 
Essa escala de R$ 700 milhões não é mero acidente de mercado, mas sintoma de um modelo de negócio que transforma benefícios sociais em fonte de lucro abusivo, demandando não só punições exemplares, mas uma reforma urgente para blindar os segurados contra essas práticas abusivas que o Estado, por omissão ou conivência, deixou florescer por anos.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: O Globo