LULA COMENTA ENDIVIDAMENTO RECORDE DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS

REDAÇÃO

Declaração do presidente reacende debate sobre juros, crédito e impacto da economia no bolso da população

O presidente Lula manifestou preocupação com o endividamento recorde das famílias brasileiras, apontando uma suposta “contradição” entre os indicadores macroeconômicos supostamente positivos e a dura percepção da população, que sente o bolso apertado.
A fala soa, no entanto, como um exercício de retórica conveniente: sob seu governo, o percentual de famílias endividadas saltou para o maior nível da série histórica, atingindo 80,2% em fevereiro de 2026, enquanto a inadimplência ronda os 29,6% e compromete quase 30% da renda mensal com o serviço da dívida, patamares alarmantes em 20 anos.
Em vez de reconhecer que juros básicos na casa dos 15% ao ano, crédito caro e uma política fiscal expansionista que alimenta pressões inflacionárias são frutos de escolhas do próprio Planalto, Lula prefere diagnosticar um “descolamento” entre realidade estatística e sentimento popular, como se o drama de 81 milhões de negativados fosse mera ilusão subjetiva ou culpa de forças externas, e não o resultado previsível de uma economia que cresce sustentada em dívida pública e privada.
Essa contradição não está na percepção das famílias, mas na incapacidade, ou na conveniência, do governo em admitir que, para milhões de brasileiros, o “crescimento” celebrado no PIB significa apenas mais contas em atraso e menos margem para o essencial.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Divulgação