INVESTIGAÇÃO APONTA USO DE OBRAS DE ARTE PARA OCULTAÇÃO DE PATRIMÔNIO

REDAÇÃO

Compras milionárias no Brasil e no exterior levantam suspeitas em meio a apuração sobre o Banco Master

O apetite voraz de Daniel Vorcaro por obras de arte revela-se como um sofisticado mecanismo de ocultação patrimonial e dissipação de recursos supostamente desviados de depositantes e do sistema financeiro. 
Uma designer mineira atuava como intermediária estratégica, conectando o banqueiro a uma rede de galerias de elite no Brasil, como a Almeida & Dale, que recebeu ao menos R$ 165 milhões em remessas via empresas ligadas a ele, e no exterior, incluindo casas como Gagosian, Pace, Sotheby’s e Christie’s, por onde circularam Picassos, Basquiats, Milhazes, Ohtakes e outros blue chips que somam mais de R$ 260 milhões em aquisições, boa parte via offshores nas Bahamas e no Alasca.
O que chama atenção não é o luxo em si, banqueiros sempre colecionaram, mas o contraste obsceno: Vorcaro declarava ao Fisco apenas fração ínfima desse acervo, cerca de R$ 47 milhões em arte, joias e relógios, enquanto liquidantes e a CPMI do INSS agora caçam peças escondidas nos EUA e no Brasil, sugerindo que o “investimento em cultura” servia mais para blindar fortunas do que para iluminar paredes. 
Em tempos de crise bancária e prejuízos coletivos, esse Vorcaro artístico expõe, mais uma vez, como o mercado de arte de alto padrão pode funcionar como lavanderia chique para quem transforma depósitos alheios em mousquetaires milionários.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Valor