Senadores alegam omissão do Senado após número suficiente de assinaturas para abertura da comissão
Senadores de oposição, liderados por Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Girão (Novo-CE), protocolaram nesta quarta-feira (25) mandado de segurança no STF para forçar a instalação da CPI do Banco Master, após o requerimento de Girão ter ultrapassado largamente as 27 assinaturas necessárias, chegando a 53, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), insistir em ignorar o pedido e não ler o documento em plenário, mantendo o escândalo do duto de lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos convenientemente engavetado.
Enquanto o relatório da CPI do Crime Organizado já aponta o banco de Daniel Vorcaro como máquina bilionária de esquentar recursos de facções e comprar influência nos Três Poderes, com omissões graves do Banco Central e possíveis relações com ministros do STF, Alcolumbre transforma o regimento interno numa muralha de proteção ao establishment, revelando mais uma vez a hipocrisia de uma Casa que se diz investigativa, mas age como escudo para os poderosos.
Recorrer ao mesmo Supremo que supostamente aparece nas denúncias do caso é, no mínimo, irônico: a oposição precisa bater à porta do Judiciário para exercer um direito constitucional elementar que a presidência do Senado simplesmente finge não existir, expondo o quanto o caso Master incomoda não só banqueiros, mas também quem tem muito a perder com uma investigação sem atalhos ou blindagens. R
Resta saber se o STF terá coragem de impor a CPI ou se, mais uma vez, o “acordão” prevalecerá sobre a transparência.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
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