Documento aponta transferência de valores de empresa investigada em esquema de fraudes previdenciárias
A citação de Roberto de Assis Moreira, irmão de Ronaldinho Gaúcho, no relatório final da CPMI do INSS expõe mais uma vez como as fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas alcançaram círculos que vão muito além de entidades sindicais ou operadoras de baixo escalão.
O documento aponta que ele recebeu uma transferência de R$ 591 mil de uma empresa investigada no esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários, o que levanta suspeitas graves de intermediação ou favorecimento em um dos maiores escândalos de lesão a idosos da história recente do país.
Enquanto milhares de aposentados tiveram parte de seus parcos proventos sugados mensalmente sem autorização, nomes com visibilidade e conexões financeiras aparecem no rastro do dinheiro sujo, reforçando a percepção de que o esquema contava com uma rede ampla de beneficiários, alguns famosos, outros anônimos.
O fato de o irmão de um dos maiores ídolos do futebol brasileiro ser mencionado, mesmo que sem indiciamento automático, serve como lembrete incômodo: a impunidade seletiva não escolhe celebridade ou classe social, mas costuma proteger quem tem poder, influência ou holofote suficiente para complicar investigações mais profundas.
A CPMI, ao registrar essa movimentação, cumpre parte de seu papel ao não permitir que o dinheiro rastreado simplesmente desapareça no vazio; resta agora à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal dar sequência concreta, sem distinção entre anônimos e famosos, para que os responsáveis, independentemente do sobrenome, respondam pelos prejuízos causados aos mais vulneráveis.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
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