Declaração ocorre durante saída de auxiliares do governo e gera debate sobre práticas políticas e uso da máquina pública
Em reunião ministerial marcada pela despedida de cerca de 18 auxiliares que deixam o governo para disputar eleições, o presidente Lula discursou pedindo o fim da “promiscuidade” na política, como se o problema fosse uma novidade externa ao seu próprio modo de governar.
O mesmo homem que transformou o Estado em extensão do PT, nomeou aliados investigados, distribuiu cargos como moeda de troca para sustentar uma base fisiológica e assistiu passivamente à mobilização de servidores da Presidência para eventos de autopromoção da primeira-dama Janja, agora posa de moralista cobrando ética alheia.
Enquanto o TCU investiga o uso indevido da máquina pública em desfiles carnavalescos petistas, Lula finge combater a promiscuidade que ele próprio institucionalizou ao longo de décadas: troca de favores, aparelhamento de órgãos, alianças oportunistas com os mais variados fisiologismos e a constante borrada entre interesse público e projeto de poder pessoal.
O discurso soa mais como hipocrisia calculada do que como mea-culpa, afinal, para o petismo, “promiscuidade” parece ser apenas o que os outros fazem; quando é o Planalto quem pratica, vira “governabilidade” ou “democracia”.
Por: Rodolfo Oliveira
Foto: Agência Brasil