Luiz Inácio Lula da Silva prepara novas campanhas institucionais para destacar obras e programas sociais enquanto despesas com propaganda digital disparam
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara o lançamento de duas novas campanhas publicitárias pagas com recursos públicos, em uma clara tentativa de reverter a queda de popularidade revelada pelas pesquisas recentes. De acordo com informações publicadas nesta quinta-feira, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República deve colocar no ar, provavelmente na segunda quinzena de abril, peças que destacam obras e programas sociais da gestão, além de outra que promove o projeto de fim da escala de trabalho 6×1 como uma suposta medida de justiça social.
A iniciativa ocorre em meio a um cenário de crescente insatisfação com o desempenho do governo, que tem enfrentado críticas por resultados econômicos modestos, inflação persistente e dificuldades em entregar promessas de campanha. Em vez de enfrentar os problemas de frente, o Planalto opta por investir mais uma vez em propaganda, numa estratégia que muitos veem como desperdiço de dinheiro público para maquiar a realidade.
Essa não é uma ação isolada. Desde o ano passado, o governo Lula tem inflado os gastos com publicidade, especialmente no ambiente digital. Em 2025, a Secom registrou recorde de gastos com anúncios na internet, superando os R$ 129 milhões, mais que o triplo do valor de 2024. O montante total em anúncios online desde o início do terceiro mandato já ultrapassa os R$ 219 milhões, com forte concentração em plataformas como Google e Meta. A estratégia inclui ainda o uso intensivo de influenciadores e formatos virais, tudo custeado pelo contribuinte.
Críticos apontam que o aumento dessas verbas acontece exatamente em ano eleitoral, contrariando o discurso de austeridade fiscal adotado em outras áreas. As campanhas regionais, que buscam disputar a “paternidade” de obras com governadores, e o foco em temas como isenção de Imposto de Renda e “Brasil soberano” reforçam a percepção de que o governo prioriza a autopromoção em detrimento de soluções efetivas para os desafios do país.
Com as restrições eleitorais se aproximando em julho, o Palácio do Planalto corre contra o tempo para tentar melhorar a imagem do presidente antes que a propaganda oficial fique limitada. A aposta em mais publicidade, no entanto, levanta questionamentos sobre o real impacto dessas ações diante de uma população cada vez mais atenta aos resultados concretos da gestão.
Foto: PR