Ferrovia iniciada em 2006 segue inacabada, com investimento superior a R$ 11 bilhões e previsão de entrega apenas para 2027
Completando oficialmente 20 anos de obras em junho deste ano, a Ferrovia Transnordestina segue como um dos maiores símbolos de incompetência e desperdício de recursos públicos da história recente do Brasil. Anunciada em 2006, no governo Lula, com promessa de integração logística do Nordeste, a obra acumula atrasos intermináveis, custo triplicado em relação ao previsto inicialmente e apenas 81% da fase 1 concluída. O novo prazo de entrega? 2027. Ou seja, mais de duas décadas para entregar o que deveria ter sido concluído em poucos anos.
Foram mais de R$ 11,3 bilhões já investidos na fase 1 (Paes Landim, no Piauí, até o Porto do Pecém, no Ceará), com outros R$ 1,7 bilhão prometidos até 2027. Mesmo assim, restam 326 km em obras, com trechos complexos no Ceará só previstos para 2027. A fase 2 mal saiu do papel. Durante esses 20 anos, o projeto sofreu paralisações constantes, problemas de desapropriação, questões ambientais e, principalmente, falta crônica de recursos e má gestão – problemas que se agravaram nos governos petistas.
A Transnordestina carrega um histórico pesado de irregularidades. O Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a suspender repasses federais por anos devido a “diversas irregularidades na execução e nos valores dos investimentos”. A obra virou sinônimo de obras faraônicas mal planejadas, superfaturamento e lentidão típica de governos que priorizam propaganda em vez de execução eficiente. Lula chegou a visitar a obra em 2024 e prometer que “se depender do governo, vamos terminar”, como se não fosse o mesmo partido que deixou a ferrovia engatinhando por mais de uma década e meia.
Enquanto o Nordeste sofre com rodovias precárias, alto custo do transporte e perda de competitividade na exportação, bilhões foram jogados em uma obra que, após 20 anos, ainda não entrega o prometido: capacidade para 30 milhões de toneladas/ano, integração de grãos, minérios e cargas para o Porto do Pecém. O resultado prático até agora? Pouco mais que promessas repetidas, discursos em palanques e mais uma obra eternamente “quase pronta”.
A demora da Transnordestina não é acidente. É o retrato de um modelo de governança do PT: anunciar com estardalhaço, iniciar com pompa, perder o controle dos custos e prazos, e depois culpar “herança maldita”, “golpe” ou “falta de recursos” quando a realidade cobra a conta. O Nordeste merece muito mais do que obras que viram elefantes-brancos bilionários.
Depois de duas décadas, chega de desculpas. O que falta para concluir a Transnordestina? Principalmente: competência, seriedade e fim da cultura de obras inacabadas que tanto marcou os governos petistas.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Ricardo Stuckert