
Em mais um episódio que expõe a perigosa promiscuidade entre membros do Supremo Tribunal Federal e figuras investigadas por fraudes bilionárias, um jato da Prime Aviation, empresa ligada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e preso por comandar um esquema de fraudes financeiras, voou para Marília (SP), cidade natal do ministro Dias Toffoli, no dia 21 de março, exatamente no mesmo momento em que a escolta de seguranças do TRT-2 foi deslocada para atender uma “autoridade do STF” no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), frequentado pelo ministro.
Essa sincronia reveladora, que se soma a outros voos de Toffoli em aeronaves associadas a Vorcaro, sugere o uso de transporte privado de luxo e recursos públicos de segurança para fins pessoais, enquanto o banqueiro enfrentava investigações graves das quais o próprio ministro chegou a ser relator antes de se declarar suspeito.
Tal comportamento reforça a imagem de um STF cada vez mais distante da austeridade que deveria exemplificar, onde favores, jatinhos e escoltas parecem circular com naturalidade entre o Judiciário e o mundo dos grandes esquemas financeiros, erodindo a confiança da sociedade na imparcialidade e na integridade das mais altas instâncias da Justiça brasileira.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Agência Brasil