HÉRNIAS E COMPLICAÇÕES DA FACADA DE 2018 MOTIVAM CUIDADOS MÉDICOS ESPECIAIS A BOLSONARO

REDAÇÃO

Documentos apontam dor persistente e limitação funcional enquanto ex-presidente cumpre prisão domiciliar por decisão de Alexandre de Moraes

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro enviou ao Supremo Tribunal Federal um novo documento periódico contendo relatórios médicos e fisioterapêuticos atualizados, conforme determinação expressa do ministro Alexandre de Moraes. O material foi anexado aos autos do processo e detalha o atual estado de saúde do ex-presidente, destacando limitações funcionais persistentes, dor intensa no ombro direito e a necessidade de intervenção cirúrgica para correção da lesão. Os documentos reforçam que, mesmo após a recuperação da infecção pulmonar que motivou a internação recente, Bolsonaro continua apresentando desconforto significativo que impacta sua mobilidade e qualidade de vida diária.
O ministro Alexandre de Moraes havia concedido prisão domiciliar humanitária temporária por 90 dias após Bolsonaro ser internado no Hospital DF Star, em Brasília, no dia 13 de março, para tratamento de broncopneumonia bacteriana decorrente de broncoaspiração. O ex-presidente recebeu alta hospitalar na manhã do dia 27 de março e desde então cumpre a medida em sua residência no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico. A decisão judicial foi motivada pelo quadro clínico do ex-presidente, de 71 anos, que inclui comorbidades e histórico de problemas de saúde acumulados ao longo dos anos, incluindo sequelas da facada sofrida em 2018. Moraes condicionou a manutenção da prisão domiciliar ao envio de relatórios periódicos a cada sete dias, com informações detalhadas sobre a evolução do tratamento, exames realizados e recomendações da equipe médica.
De acordo com os relatórios anexados, a equipe médica, coordenada pelo cardiologista Brasil Ramos Caiado, aproveitou o período de internação para avaliar também as queixas de dor no ombro direito. Os médicos indicam a realização de uma artroscopia no ombro direito ainda no final de abril, seguindo um protocolo de recuperação de cerca de quatro semanas após a alta da pneumonia. A previsão é que o procedimento seja acompanhado de novos exames, como tomografia do tórax, para monitorar a plena recuperação pulmonar. A recuperação total de Bolsonaro pode levar de três a seis meses, segundo avaliação dos profissionais.
Enquanto cumpre a prisão domiciliar, Bolsonaro segue com tratamento medicamentoso adaptado para o ambiente domiciliar, sessões de fisioterapia e reabilitação pulmonar. A medida inclui o uso de tornozeleira eletrônica e restrições de visitas e deslocamentos, com a custódia sob responsabilidade da Polícia Penal do Distrito Federal. A segurança no condomínio também foi reforçada para atender às exigências da decisão do Supremo Tribunal Federal. Após os 90 dias, o ministro Alexandre de Moraes determinará nova avaliação do caso, podendo inclusive solicitar perícia médica independente para decidir sobre a continuidade ou não da prisão domiciliar.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, imposta pelo Supremo Tribunal Federal após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado pela violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado. A condenação refere-se à trama golpista articulada após as eleições de 2022, com o ex-presidente apontado como líder do núcleo central do plano. Ele nega as acusações e sua defesa tem recorrido das decisões.
O caso segue gerando debates no cenário político e jurídico, especialmente diante do quadro de saúde do ex-presidente e dos pedidos de medidas humanitárias apresentados pela defesa.
Foto: Agência Brasil