POPULAÇÃO DE JUMENTOS NO BRASIL CRESCE PARA MAIS DE 730 MIL, ESTIMA WORLD POPULATION REVIEW

REDAÇÃO

Estimativa da World Population Review é dez vezes maior que números divulgados anteriormente e reacende debate sobre abate, conservação e dados oficiais

Um novo levantamento internacional está chamando a atenção para o tamanho real do rebanho de jumentos no Brasil. Segundo dados compilados pela World Population Review, a população de jumentos no país pode ultrapassar 730 mil animais em 2026. Essa estimativa é pelo menos dez vezes maior do que os números que vinham sendo divulgados por algumas organizações não governamentais nos últimos anos, que apontavam para algo em torno de 70 a 80 mil cabeças.
Até 2025, relatórios de entidades como a The Donkey Sanctuary e dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do IBGE e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura indicavam uma queda drástica na população asinina. Entre o final da década de 1990, quando o Brasil tinha cerca de 1,3 milhão a 1,37 milhão de jumentos, e 2025, o rebanho teria encolhido para aproximadamente 78 mil animais, uma redução de cerca de 94 por cento em pouco mais de 25 anos. O principal motivo apontado era o abate intenso, em grande parte destinado à exportação de peles para a produção de ejiao, um produto tradicional chinês.
Especialistas afirmam que as estimativas mais baixas podem ter subestimado o número real de animais, especialmente aqueles criados de forma semi-solta ou solta no Nordeste brasileiro, região onde a espécie tem forte presença histórica e cultural. Muitos jumentos deixaram de ser contabilizados em censos oficiais à medida que o uso tradicional para transporte e trabalho no campo diminuiu. O zootecnista Alex Bastos, por exemplo, tem defendido que o número anterior carecia de embasamento mais confiável e que o efetivo atual é substancialmente maior.
A nova projeção da World Population Review, que reúne informações de fontes internacionais como a FAO, reacende o debate sobre a real dimensão do rebanho asinino no Brasil, a necessidade de dados oficiais mais atualizados e a organização da cadeia produtiva. Enquanto alguns setores veem potencial econômico na espécie, entidades de proteção animal continuam alertando para os riscos do abate descontrolado e defendem medidas de conservação.
Embora a discrepância entre as estimativas seja significativa, especialistas lembram que a contagem de animais em regime extensivo ou semi-livre sempre envolve desafios e margens de erro. O tema segue em discussão entre produtores, pesquisadores, governo e organizações de bem-estar animal.
Foto: Reprodução