Movimentações no Senado indicam construção de apoio para futura indicação à Suprema Corte
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria dito a aliados que a indicação de Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União, para vaga no Supremo Tribunal Federal deve ser aprovada pela Casa, embora ainda não tenha marcado a data da leitura da mensagem presidencial no plenário, um gesto que, em meio à crise instalada desde o anúncio do nome por Lula há mais de quatro meses, soa mais como cálculo pragmático do que convicção institucional.
Após resistir publicamente à escolha, surpreender-se com o envio formal da indicação e até sinalizar que lavaria as mãos sobre o desfecho, Alcolumbre agora parece ceder à pressão do Planalto sem grande entusiasmo, expondo o quão personalista e volúvel se tornou o processo de nomeação para o STF: o que deveria ser escrutínio rigoroso sobre mérito, independência e alinhamento constitucional vira moeda de troca em brigas por poder entre Executivo e Legislativo, com o Senado reduzido a arena de vaidades e retaliações, enquanto a Corte Suprema acumula indicações que reforçam a percepção de aparelhamento político em vez de renovação qualificada.
Essa dança de sinais contraditórios reforça o desgaste das instituições, onde prazos se esticam por conveniência e “aprovação inevitável” é anunciada nos bastidores antes mesmo de qualquer debate transparente com a sociedade.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Agência Senado