IRÃ, QUE MASSACROU MILHARES DE SEUS PRÓPRIOS CIDADÃOS EM JANEIRO, ACUSA TRUMP DE INCITAR GENOCÍDIO

REDAÇÃO

O regime iraniano, que massacrou milhares de seus próprios cidadãos durante os protestos nacionais de janeiro de 2026, reagiu nesta terça-feira com indignação hipócrita às ameaças do presidente americano Donald Trump, acusando-o de incitar crimes de guerra e até genocídio.

Em janeiro, as forças de segurança do Irã, incluindo o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica e milícias Basij, abriram fogo contra manifestantes desarmados em uma repressão brutal que deixou um rastro de morte sem precedentes nas últimas décadas. O governo de Teerã admitiu oficialmente cerca de 3.117 óbitos, mas organizações de direitos humanos como a HRANA, a Anistia Internacional e relatos de fontes médicas e da ONU indicam que o número real de civis mortos ultrapassa amplamente os 5 mil, podendo chegar a dezenas de milhares, com estimativas independentes variando entre 6 mil e mais de 36 mil vítimas. Centenas de corpos foram documentados em necrotérios de Teerã, incluindo crianças e idosos, em meio a um blecaute de internet imposto para ocultar a escala do massacre.
Enquanto o regime iraniano esconde corpos, pune famílias enlutadas e enterra vítimas em covas coletivas para apagar evidências, seu embaixador na ONU, Amir-Saeid Iravani, e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, denunciaram nesta terça-feira as declarações de Trump como “incitação a crimes de guerra e potencial genocídio”. Trump havia advertido que, caso o Irã não reabrisse o Estreito de Ormuz e não chegasse a um acordo, uma “civilização inteira vai morrer hoje à noite, nunca mais voltará”, com ameaças de ataques a usinas de energia, pontes e infraestrutura crítica.
A hipocrisia do regime fica ainda mais evidente com as ações adotadas hoje. Autoridades iranianas, incluindo figuras ligadas ao IRGC e ao Ministério da Juventude, convocaram civis — especialmente jovens, mulheres e crianças — a formar “cadeias humanas” ao redor de usinas de energia e pontes, posicionando-os como escudos humanos contra eventuais ataques. Imagens divulgadas pela própria mídia estatal mostram multidões, incluindo menores de idade, reunidas em locais estratégicos, uma tática condenada por críticos e observadores internacionais como uma forma cínica de usar o próprio povo para gerar vítimas civis e culpar adversários externos.
Enquanto o Irã chora supostas ameaças contra sua “civilização”, ignora o sangue de milhares de iranianos derramado por suas próprias forças de segurança apenas meses atrás. A repressão de janeiro expôs a verdadeira natureza do regime teocrático: disposto a matar seus cidadãos para se manter no poder e agora disposto a colocá-los na linha de frente como escudos descartáveis. Essa contradição escancarada revela um governo que clama por proteção internacional ao mesmo tempo em que viola sistematicamente os direitos mais básicos de seu povo. A comunidade internacional acompanha com preocupação o agravamento da crise, marcada pela violência interna e pela escalada retórica que coloca em risco ainda mais vidas inocentes.
Foto: AFP