Camilla e Gabriel Ramos atuam em processos para liberar R$ 1,6 bilhão em precatórios da União, enquanto PF investiga fraudes bilionárias do banco
O Banco Master, instituição financeira no centro do escândalo conhecido como Caso Master, contratou a mulher e o filho do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), para atuar em processos que buscam destravar o pagamento de cerca de R$ 1,6 bilhão em precatórios da União.
De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a contratação ocorreu em dezembro de 2024. A advogada Camilla Ewerton Ramos (mulher do desembargador) e o advogado Gabriel Ramos (filho dele), ambos do mesmo escritório de advocacia, foram contratados para tentar liberar precatórios que foram expedidos de forma irregular (“antes da hora”) e estão suspensos no TRF-1.
Os precatórios envolvem ações movidas por usinas de açúcar e álcool. O objetivo da contratação era agilizar o recebimento dos valores pela instituição financeira, que atuava na compra de precatórios com deságio elevado.
O desembargador Newton Ramos declarou que se considera impedido de atuar em casos que envolvam seus familiares diretos.
A informação surge em meio às investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraudes bilionárias, gestão irregular e suposta organização criminosa no Banco Master. O banco foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central após a descoberta de um rombo de dezenas de bilhões de reais.
A defesa do Banco Master e dos advogados contratados não havia se manifestado publicamente até o fechamento desta matéria. O caso reforça as suspeitas de que a instituição usava relações e contratos estratégicos para tentar superar barreiras judiciais e financeiras.
A revelação foi publicada hoje pelo Estadão e já repercute no Congresso, onde a CPI do Crime Organizado investiga o esquema.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Divulgação