Cármen Lúcia defende juízes honestos e reacende debate sobre credibilidade do STF

REDAÇÃO

“Deus me livre de ser julgada por juiz que não seja honesto”: Cármen Lúcia

Brasília, 19 de março de 2026 – A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF) e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou nesta quarta-feira (18) que “Deus me livre de ser julgada por um juiz que não seja independente, imparcial, ético e honesto”. A frase, dita durante uma aula magna no Centro Universitário de Brasília (UniCeub), viralizou rapidamente nas redes sociais e gerou reações mistas, entre apoio ao princípio defendido e críticas à própria atuação da Corte.
A declaração ocorreu no evento “Sem mulheres não há democracia: representação feminina e enfrentamento da violência política de gênero”. Na ocasião, Cármen Lúcia defendeu maior participação feminina nos espaços de poder, incluindo o Judiciário, e criticou juízes que atuam por dependência, bajulação ou favorecimento político. “Não quero ser julgada por alguém que seja dependente, que seja apenas um bajulador, que chegue lá [ao cargo] por conta disso e que não tenha independência para julgar”, afirmou, conforme reportagens publicadas pela Gazeta do Povo, Folha de S.Paulo e outros veículos.
A ministra é relatora do projeto de código de conduta para magistrados proposto pelo presidente do STF, Edson Fachin, e tem defendido normas mais rigorosas de ética na magistratura. Na mesma palestra, ela abordou fraudes no uso das cotas de financiamento para candidaturas femininas e a urgência de combater a violência política de gênero.
Antes de iniciar a fala, Cármen Lúcia revelou ter recebido um alerta grave de policiais judiciários: “mandaram uma bomba para me matar”. A informação, comunicada pouco antes do evento, reforça o ambiente de alta tensão que envolve ministros do STF em meio à polarização política. A ministra não detalhou o episódio, mas afirmou estar “vivíssima” e criticou o aumento da violência de gênero no país, incluindo feminicídios.
A frase sobre juízes honestos e independentes ganhou tração imediata nas redes, especialmente no X (antigo Twitter), onde foi compartilhada com ironia por críticos do STF. Muitos usuários lembraram decisões polêmicas da Corte, como ações de moderação de conteúdo em redes sociais, julgamentos de inelegibilidades e inquéritos com longa duração, questionando se os princípios defendidos pela ministra se aplicam consistentemente à instituição.
Comentários frequentes apontam para uma suposta contradição: “Diz a ministra do STF que votou em decisões vistas como parciais”, resumem perfis. Outros destacam a baixa aprovação popular do Supremo, que historicamente varia entre 20% e 30% em institutos como Datafolha e Ipec, um índice baixo para uma instituição que se posiciona como guardiã da democracia.
Do ponto de vista jornalístico, o apelo de Cármen Lúcia ao básico da função judicial – independência, imparcialidade e honestidade – é inquestionável em princípio. Todo cidadão tem direito a ser julgado por magistrados isentos. No entanto, o contexto prático do Judiciário brasileiro inclui desafios conhecidos: indicações com forte componente político, concentração de poder sem contrapesos suficientes, decisões monocráticas com pouca transparência e mecanismos limitados de responsabilização efetiva. O próprio código de ética em tramitação, relatado pela ministra, ainda não prevê sanções concretas e aguarda deliberação.
Quando uma integrante do STF precisa recorrer a uma expressão como “Deus me livre” para reforçar o óbvio, o episódio expõe mais a crise de credibilidade da instituição do que as intenções pessoais da magistrada. É um sinal de alerta sobre a percepção pública do Judiciário em um momento de polarização intensa.
A declaração já foi repercutida por portais como Gazeta do Povo, GP1, Agência Brasil, CBN e Paulo Figueiredo Show, além de ganhar força em perfis conservadores no X, onde virou base para memes e cobranças. Até o momento, não há posicionamento oficial da ministra ou do TSE sobre as reações.
O código de conduta deve voltar à pauta após as eleições de 2026. Resta saber se ele trará mudanças reais ou ficará como mais um documento de boas intenções. A frase de Cármen Lúcia ecoa um desejo coletivo: que o Judiciário brasileiro seja, de fato, independente, imparcial, ético e honesto – para todos os cidadãos, sem exceção.
Foto: TSE