STF prorroga investigação do Banco Master e amplia expectativa por desdobramentos

REDAÇÃO

OPINIÃO: Jornalista – Rodolfo Oliveira

A decisão do ministro André Mendonça de prorrogar por mais 60 dias as investigações sobre as fraudes bilionárias no Banco Master é, à primeira vista, um gesto de seriedade institucional, mas na prática serve como oxigênio extra para um sistema que já fede a podridão. 
Mendonça assumiu a relatoria após Dias Toffoli se declarar suspeito, ou ser forçado a sair, em meio a menções incômodas em aparelhos apreendidos, e agora dá tempo à PF para analisar o que resta dos sete celulares de Daniel Vorcaro, um dos quais já gerou estragos consideráveis. 
Essa prorrogação não é neutra: ela mantém acesa a chama da esperança de que, enfim, a operação Compliance Zero avance além dos banqueiros de plantão e alcance os políticos, lobistas e figurões que teriam recebido favores nessa república de escambos. 
O que está em jogo não é só o destino de um empresário preso; é se o Judiciário brasileiro terá coragem de romper o ciclo de impunidade que protege os verdadeiros arquitetos dessas fraudes, ou se mais uma vez o prazo servirá apenas para diluir provas e negociar silêncios.
A entrada em cena do advogado José Luís Oliveira Lima, o Juca, especialista em delações premiadas, que já conduziu acordos explosivos na Lava Jato e defendeu figurões como José Dirceu, sinaliza o desespero calculado de Vorcaro: com a prisão mantida e a PF esfregando as mãos sobre os aparelhos não abertos, o banqueiro agora aposta na “delação sincera, ampla e irrestrita” como tábua de salvação. 
Mas a grande dúvida, e o ponto mais crítico, é até onde vai essa “sinceridade”. 
Vorcaro terá pulso para delatar os verdadeiros beneficiários do esquema, incluindo nomes de Brasília que usaram influência para viabilizar a tentativa de venda ao BRB, ou limitará sua colaboração a peixes menores, preservando alianças que garantam proteção futura?
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