PROJETO SOBRE MISOGINIA DIVIDE OPINIÕES E GERA REAÇÃO NO CONGRESSO

REDAÇÃO

Proposta que equipara misoginia ao racismo enfrenta críticas e deve ter nova discussão na Câmara

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tem toda razão ao classificar como “aberração” o projeto de lei aprovado pelo Senado que inclui a misoginia entre os crimes de preconceito e discriminação da Lei do Racismo, prevendo penas de reclusão de até cinco anos de prisão por manifestações de “ódio ou aversão às mulheres”. 
Trata-se de mais uma investida autoritária do politicamente correto que, sob o pretexto de proteger as mulheres, transforma em delito penal opiniões, críticas ou até piadas sobre diferenças biológicas, papéis de gênero ou o próprio movimento feminista radical, algo que já se mostrou, em diversos países, uma ferramenta perigosa de censura seletiva, capaz de silenciar dissidentes, artistas, humoristas e até mulheres conservadoras que ousem questionar a narrativa oficial. 
Em vez de combater a violência real contra a mulher com políticas eficazes de segurança pública e justiça célere, o texto aprofunda a divisão entre os sexos, equiparando uma suposta “aversão”, conceito vago e subjetivo, ao racismo biológico, e abre brecha para abusos judiciais que ameaçam a liberdade de expressão, pilar essencial de qualquer democracia. 
Nikolas acerta ao prometer barrar essa tolice na Câmara: o Congresso deve rejeitar de vez essa lei que, longe de unir a sociedade, serve apenas para ampliar o controle ideológico sobre o debate público.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Divulgação