Levantamento indica que parcela significativa da população associa Corte a escândalo financeiro
Uma nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg revela que 47% dos brasileiros consideram o STF totalmente envolvido no escândalo do Banco Master, um número alarmante que reflete não apenas a percepção popular, mas o acúmulo de suspeitas sobre relações perigosas entre ministros da Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo contatos questionáveis no dia de sua prisão e possíveis benefícios financeiros oriundos do esquema de fraudes, lavagem e operações bilionárias investigadas também na Reag e na Operação Carbono Oculto.
Enquanto o Supremo se apresenta como guardião da Constituição e da moralidade pública, a opinião pública, reforçada por vazamentos, delações em curso e a incapacidade da Corte de afastar de forma convincente qualquer sombra de conflito de interesse, enxerga na instituição uma peça ativa ou conivente com um dos maiores escândalos financeiros recentes, ao lado do governo e do Congresso.
Essa erosão de credibilidade, que já derrubou a confiança no STF para patamares históricos próximos a 60% de desconfiança em levantamentos anteriores da mesma série, expõe o risco real de uma crise de legitimidade: quando quase metade da população acredita que a mais alta instância da Justiça brasileira está imersa em um esquema de favorecimento a banqueiros investigados por ligações suspeitas com o crime organizado, o Judiciário perde autoridade moral para julgar qualquer outro caso com imparcialidade, alimentando o cinismo coletivo de que, no Brasil, o sistema protege os seus enquanto o pagador de impostos e o investidor pagam o rombo.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Estadão