Ex-líder venezuelano pede união e reconciliação em meio a processo judicial nos Estados Unidos
Em sua primeira mensagem pública após a captura por forças americanas em janeiro e a recente audiência judicial em Nova York, Nicolás Maduro afirmou estar “bem, firme, sereno e em oração permanente” ao lado da esposa Cilia Flores, aproveitando a véspera da Semana Santa para apelar à “união nacional”, à reconciliação e à “consolidação da paz” na Venezuela, como se o ditador responsável por anos de repressão, fome, êxodo em massa de milhões de compatriotas, eleições fraudadas e alianças com narcotraficantes e regimes autoritários pudesse agora posar de homem de fé e pacificador.
A tentativa de humanizar-se com linguagem religiosa soa cínica e oportunista: o mesmo líder que transformou a Venezuela em um dos países mais violentos e miseráveis do continente, sufocando dissidência e saqueando recursos públicos, agora recorre ao discurso piedoso da prisão para manter o controle narrativo sobre seus apoiadores remanescentes, enquanto ignora as graves acusações de narcoterrorismo que o levaram aos tribunais dos EUA.
Em vez de reflexão genuína sobre o legado de destruição chavista, Maduro oferece um espetáculo de serenidade seletiva, revelando mais uma vez que, para o regime, até a oração serve como ferramenta de propaganda política.
Texto: @jornalista.rodolfo.oliveira
Foto: Divulgação