LULA SUGERE “PÉ-DE-MEIA UNIVERSITÁRIO” COM DINHEIRO PÚBLICO: “É PRECISO MANTER OS JOVENS NA FACULDADE”

REDAÇÃO

Ideia prevê auxílio mensal para reduzir evasão no ensino superior, mas levanta críticas sobre impacto fiscal e eficácia

Em mais um capítulo da estratégia do governo Lula de multiplicar programas de transferência de renda com recursos públicos, o presidente sugeriu na última quarta-feira, durante evento em Fortaleza, no Ceará, a criação de uma nova versão do Pé-de-Meia voltada para estudantes universitários. A ideia, ainda vaga e sem detalhes concretos sobre valores, critérios ou custo total, seria pagar um auxílio mensal para tentar reduzir a evasão no ensino superior, especialmente entre beneficiários do Prouni.
Lula citou dados de que cerca de 3,7 milhões de estudantes se inscreveram no programa Universidade para Todos, mas apenas pouco mais de um milhão permanecem matriculados. Em vez de questionar a qualidade do ensino oferecido, a adequação dos cursos ou os reais motivos da desistência, o presidente preferiu atribuir o problema à falta de dinheiro e propôs simplesmente estender o modelo de “poupança incentivada” já usado no ensino médio. A frase dele resumiu a visão: criar um Pé-de-Meia para que “ninguém desista da universidade até se formar”.
Paralelamente, o governo já executa o Pé-de-Meia Licenciaturas, lançado como parte do programa Mais Professores. Nele, estudantes de cursos de formação de professores recebem R$ 1.050 por mês, sendo R$ 700 sacáveis imediatamente e R$ 350 guardados em poupança condicionada. O benefício é limitado a até 48 parcelas e prioriza quem ingressou via Sisu, Prouni ou Fies com nota mínima de 650 no Enem. Embora o objetivo declarado seja combater a falta de docentes, críticos veem mais uma forma de ampliar gastos públicos sem garantia de resultados efetivos na qualidade da educação.
A proposta de expandir o benefício para o ensino superior como um todo surge em meio a um cenário de contas públicas pressionadas, com o governo insistindo em novas despesas mesmo diante de alertas sobre o desequilíbrio fiscal. O Pé-de-Meia original para o ensino médio já consumiu bilhões de reais, e agora a ideia é replicar o mecanismo na universidade, transformando o acesso ao ensino superior em mais uma dependência de auxílios estatais.
Especialistas e opositores questionam se distribuir dinheiro mensal realmente resolve o problema da evasão ou se apenas mascara falhas estruturais do sistema educacional brasileiro, como baixa qualidade das universidades públicas e privadas, currículos desconectados do mercado de trabalho e falta de mérito e exigência acadêmica. Enquanto isso, Lula segue apostando na fórmula conhecida: mais um programa social financiado pelo contribuinte, vendido como solução generosa, mas que aumenta o peso da máquina pública sem necessariamente formar profissionais mais qualificados ou reduzir a verdadeira desigualdade educacional.
Foto: Agência Brasil