Relatório indica uso de dinheiro em espécie, garantias imobiliárias infladas e operações sob suspeita de lavagem e fraude no sistema financeiro
O relatório do Coaf sobre o Banco Master expõe mais uma camada da podridão financeira que envolveu a instituição liquidada pelo Banco Central: operações recheadas de dinheiro vivo em espécie, garantias imobiliárias grotescamente infladas, como lotes avaliados em R$ 9.300 sendo aceitos como garantia de até R$ 6 milhões, e a destinação de recursos para empreendimentos associados ao empresário Nelson Tanure, investigado pela PF como possível sócio oculto da casa.
Esse documento de inteligência financeira, enviado à CPI do Crime Organizado no Senado, revela um padrão clássico de lavagem e fraude: subavaliação de riscos, superavaliação de ativos podres e movimentações incompatíveis com o porte real das empresas envolvidas, tudo enquanto o banco servia de ponte para interesses bilionários que agora desmoronam sob o peso das investigações da Operação Compliance Zero.
Em vez de uma instituição financeira séria, o Master funcionou como uma máquina de engenharia contábil duvidosa, onde dinheiro sujo circulava em espécie, garantias fictícias sustentavam empréstimos irresponsáveis e recursos escoavam para o império de Tanure, um esquema que não só lesou depositantes, credores e fundos de pensão, como também expôs a fragilidade do sistema de supervisão bancária brasileiro, que permitiu que tais práticas prosperassem até o colapso.
A gravidade dos indícios exige investigação implacável, transparência total e punição exemplar para todos os envolvidos, sem proteção a nomes de peso que trataram o mercado financeiro como quintal particular.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação