CHOQUE DE GESTÃO NO RIO: GOVERNADOR EM EXERCÍCIO LIMPA O PALÁCIO GUANABARA DE ALIADOS DE CASTRO

REDAÇÃO

Governador em exercício do Rio, Ricardo Couto, exonera aliados de Cláudio Castro no primeiro escalonamento e determina auditorias gerais

Em meio a uma crise institucional no Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto , presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) e governador em exercício há cerca de 20 dias, intensificou as mudanças no alto escalonamento do Palácio Guanabara. Com o “poder da caneta”, ele vem desmontando o núcleo político herdado do ex-governador Cláudio Castro (PL) e promovendo uma ampla reformulação administrativa.
As exonerações ganharam força especialmente nos últimos dias. Na edição extra do Diário Oficial publicada na noite de terça-feira (14/04/2026), Couto oficializou novas trocas, incluindo a saída de nomes considerados próximos ao ex-governador.
Principais exonerações e nomeações recentes
Rodrigo Abel , secretário-chefe de Gabinete e um dos principais articuladores políticos de Cláudio Castro, foi exonerado “a pedido”. Ele foi visto como um dos últimos remanescentes do grupo mais fiel à gestão anterior no núcleo central do governo.
Na Casa Civil , o procurador do Estado Flávio Willeman (atual vice-presidente-geral do Flamengo) substituiu o cargo. O antigo titular, Marco Antônio Simões , foi realocado para a Chefia de Gabinete.
Na Cedae , o presidente Aguinaldo Ballon (ligado ao grupo de Castro e ex-chefe de gabinete de Nicola Miccione) deve deixar o posto. A substituição de Rafael Rolim , procurador do Estado, ainda depende de aprovação em assembleia de acionistas. O estado está marcado para disputas internacionais entre diferentes grupos políticos.
No Rioprevidência , saiu o presidente interino Nicolau Cardoso (alvo de recomendação do Ministério Público por aportes irregulares de R$ 118 milhões). Em seu lugar, substituiu o procurador Felipe Derbli de Carvalho Baptista .
Outras mudanças incluem:
Exoneração de 21 delegados e policiais militares limitados ao programa Barricada Zero (bandeira de segurança de Castro).
Troca na direção do Instituto de Segurança Pública (ISP).
Substituições na Controladoria-Geral do Estado e na secretaria extraordinária de Representação em Brasília.
Fontes do Palácio Guanabara afirmaram que “agora é que Couto começou a pegar a caneta”, sinalizando avanços sobre cargas estratégicas que ainda mantinham influência do grupo de Castro, incluindo articulações ligadas a nomes como Nicola Miccione e Rodrigo Bacellar.
Auditoria geral e justificativa fiscal
Paralelamente às trocas de pessoal, Couto assinou decreto determinando um pente-fino em toda a administração pública — direta, indireta e estatais. Os titulares das pastas têm 15 dias úteis para fornecer relatórios detalhados sobre projetos, contratos acima de R$ 1 milhão firmados nos últimos 12 meses, exceções de despesas, servidores comissionados e terceirizados.
A Controladoria-Geral do Estado (CGE) terá 45 dias para verificar a legalidade das contratações, especialmente dispensas e inexigibilidades de licitação. Irregularidades que gerem dano ao erário deverão ser comunicadas imediatamente ao governador em exercício para medidas cautelares.
Justificativa oficial : adequação das despesas e combate ao déficit orçamentário previsto em mais de R$ 18 bilhões para 2026. O decreto também veda novas licitações ou execução de contratos sem dotação orçamentária suficiente, após percepção de “inúmeras licitações publicadas nos últimos dias”.
Couto ainda avalia alterações nas secretarias de Planejamento, Fazenda e na Procuradoria-Geral do Estado (PGE).
Contexto político e respaldo institucional
Ricardo Couto assumiu o governo interinamente em 23 de março de 2026, após a renúncia de Cláudio Castro (que deixou o cargo para disputar o Senado). A vacância ocorreu em cenário de crise, com afastamentos e questionamentos judiciais envolvendo a linha sucessória.
Ele ganhou fôlego após visita do ministro Edson Fachin (presidente do STF) na última sexta-feira, que lhe garantiu “apoio incondicional” da Corte. O STF suspendeu a discussão sobre as eleições para o mandato-tampão, garantindo que Couto permanecesse no cargo até a definição de novo governador pela Alerj (eleição indireta prevista para breve, com o presidente da Casa não entrando na linha sucessória).
Apesar das mudanças, o governador no exercício enfrentou dificuldades para trazer nomes de confiança: a maioria dos cotados vem do meio jurídico e demonstra cautela diante do horizonte incerto do governo de transição. As ações de Couto são interpretadas como uma tentativa de consolidar uma nova base de poder, priorizando nomes técnicos e procuradores do Estado, enquanto promovem maior controle sobre gastos e contratações para estabilizar as contas públicas em meio à transição política no Rio.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Vera Araújo – O Globo