GOVERNO LULA PARALISA ANÁLISE DE BPC POR QUASE SEIS MESES E DEIXA 740 MIL IDOSOS E DEFICIENTES EM LIMBO

REDAÇÃO

Suspensão para ajustes no sistema do INSS represou requerimentos e elevou tempo de espera para mais de 190 dias

Brasília – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva suspendeu por quase seis meses a análise e concessão de novos pedidos do Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. A paralisação ocorreu entre o fim de junho e meados de dezembro de 2025.
Dados indicam que cerca de 740 mil processos ficaram represados apenas na etapa de verificação da renda familiar. O volume de pedidos saltou de aproximadamente 191 mil em julho para 740 mil em novembro de 2025.
Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a interrupção foi necessária para ajustes técnicos no sistema da Dataprev, com o objetivo de implementar mudanças no cálculo da renda per capita previstas em legislação aprovada anteriormente.
A paralisação contribuiu para o aumento da fila geral do INSS, que chegou a quase 3 milhões de requerimentos pendentes ao longo de 2025, incluindo aposentadorias, pensões e outros benefícios. Em alguns momentos, a fila específica do BPC ultrapassou 890 mil processos, com tempo médio de espera superior a 190 dias.
O atraso também gerou impacto financeiro, com cerca de R$ 2,1 bilhões em pagamentos retroativos e correções. Parte desse valor foi quitada ainda em dezembro de 2025, e o restante entre janeiro e março de 2026.
Em meio ao cenário, o governo promoveu a substituição do então presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, após aumento da pressão política em torno da gestão da fila de benefícios.
O Ministério da Previdência e o INSS afirmaram que não houve falta de recursos e que o BPC, por ser um benefício obrigatório, segue garantido. O episódio, no entanto, reacendeu o debate sobre eficiência administrativa e capacidade de atendimento do sistema previdenciário brasileiro.
Foto: PR