Banco Master começa a devolver quase 30 mil m² de escritórios na Vila Olímpia e pressiona mercado imobiliário de SP
São Paulo, 18 de abril de 2026
A devolução de escritórios ocupados pelo Banco Master na Vila Olímpia, um dos principais polos corporativos de São Paulo, já começou e deve gerar impacto imediato, ainda que pontual, no mercado de lajes corporativas de alto padrão da capital paulista. A instituição financeira, que está em processo de liquidação extrajudicial determinado pelo Banco Central após escândalo financeiro que envolveu investigações e a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ocupava cerca de 30 mil m² distribuídos em três edifícios na região. A maior parte da área — praticamente um prédio inteiro — estava concentrada no Auri Plaza, com 13.960 m². O contrato com a Auri Desenvolvimento Imobiliário encerrou-se nesta semana e não foi renovado. O aluguel mensal estimado nesse imóvel chegava a R$ 3,9 milhões. Áreas menores também eram ocupadas no Pátio Malzoni e no B32 (cerca de 8.100 m² neste último), que já estão em negociação com novos potenciais inquilinos.
Impacto na vacância da Vila Olímpia
Segundo dados do primeiro trimestre de 2026, a taxa de vacância na Vila Olímpia estava em 15,3%, o equivalente a cerca de 50 mil m² vagos. Com a devolução integral do Auri Plaza, esse índice pode se aproximar de 20% no curto prazo, representando um aumento pontual de oferta em um mercado que vinha apresentando recuperação.
Especialistas avaliam que o impacto deve ser temporário. A região tem mostrado resiliência, com crescimento na demanda por lajes de alto padrão. Hoje, cerca de 70 empresas ocupam áreas superiores a 10 mil m² na Vila Olímpia — contra 52 em 2021. Além disso, o trimestre registrou ao menos seis transações de mais de 5 mil m² em São Paulo, sinalizando retomada do interesse por espaços corporativos amplos.
Mariana Hanania, head de pesquisa de mercado da Newmark, afirma que a absorção deve ocorrer de forma gradual, sustentada pela demanda recente. “No segmento de alto padrão, a lógica é menos sensível ao histórico do ocupante anterior e mais aos atributos do imóvel, como localização, padrão construtivo e disponibilidade de área contínua”, explica. Eduardo Cardinali, da Binswanger Brazil, complementa: a devolução recoloca no mercado grandes áreas contínuas, que são escassas e atraem empresas que buscavam exatamente esse perfil e não encontravam opções disponíveis. Ele prevê pressão na vacância por até cinco pontos percentuais no curto prazo, com tendência de recomposição nos próximos trimestres.
Contexto de recuperação do mercado corporativo
O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo vive momento de aquecimento. A vacância geral da cidade atingiu o menor patamar em 14 anos no primeiro trimestre de 2026, segundo a JLL. Regiões como o entorno das avenidas Juscelino Kubitschek e Chucri Zaidan lideram a absorção, enquanto algumas submercados, como a Rebouças, zeraram a vacância em edifícios novos. No caso do B32, a devolução de 8.100 m² pelo Banco Master foi rapidamente seguida pela entrada de outro inquilino de grande porte, demonstrando a rotação natural de ativos na região. Analistas destacam que o Auri Plaza entrará no mercado com o valor por metro quadrado mais elevado entre os imóveis disponíveis na Vila Olímpia, o que pode até puxar a média de preços para cima, apesar do aumento de oferta.
Risco de efeito dominó
A operação monousuário do Auri Plaza (ocupado integralmente pelo Banco Master) amplifica o efeito da devolução. No mercado imobiliário corporativo, saídas repentinas de grandes inquilinos em ativos desse porte podem gerar “efeito dominó”, influenciando estratégias de locação, tempo de vacância e percepção de valor dos fundos imobiliários (FIIs) de lajes corporativas. Apesar disso, o consenso entre consultorias é de otimismo moderado: a demanda acumulada nos últimos dois anos e a escassez de grandes áreas contínuas devem ajudar na absorção gradual do espaço.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Reprodução