Pastor Ezra Jin Mingri, fundador da Igreja Zion, deixou a China após quase nove meses de detenção e chegou aos Estados Unidos; caso é visto como gesto diplomático de Pequim em meio à retomada do diálogo com Washington
Los Angeles / Pequim, 7 de julho de 2026. O pastor chinês Ezra Jin Mingri, fundador da Igreja Zion, uma das maiores congregações subterrâneas de Pequim, foi libertado pela China após quase nove meses de detenção e chegou aos Estados Unidos no último sábado, 4 de julho, reunindo-se com a família em Los Angeles.
A libertação é amplamente vista como um gesto positivo do governo chinês ao presidente Donald Trump, que havia levantado pessoalmente o caso durante reunião com o líder chinês Xi Jinping em maio.
Jin, de 56 anos, foi detido em outubro de 2025 durante uma grande operação de repressão a igrejas não registradas pelo regime chinês. Ele e outros líderes da igreja foram acusados de uso ilegal de redes de informação. A Zion Church chegou a reunir milhares de fiéis antes da repressão.
Sua família e organizações de defesa religiosa, como a ChinaAid e o Committee for Freedom in Hong Kong Foundation, celebraram a notícia como um milagre.
Fontes próximas ao caso indicam que Trump mencionou diretamente o pastor Jin em conversas com Xi, pedindo sua libertação. Menos de dois meses depois, o pastor foi solto e autorizado a deixar o país.
O episódio ocorre em meio a esforços iniciais de distensão entre Washington e Pequim após a posse de Trump, embora tensões comerciais, tecnológicas e sobre Taiwan permaneçam altas.
O pastor Jin converteu-se ao cristianismo após o Massacre da Praça da Paz Celestial em 1989 e estudou teologia nos EUA antes de fundar a igreja em 2007. Sua libertação foi elogiada por republicanos e democratas nos EUA, incluindo o congressista Chris Smith, há décadas defensor da liberdade religiosa.
Enquanto isso, outros oito líderes da mesma igreja ainda permanecem detidos, o que reforça que a perseguição a cristãos na China, estimados em cerca de 100 milhões, continua intensa. O governo chinês não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
A Casa Branca e grupos evangélicos americanos interpretam o episódio como um sinal inicial positivo nas relações bilaterais, embora analistas advirtam que se trata de um caso isolado e não necessariamente de uma mudança estrutural na política religiosa de Pequim.
Foto: ChinaAid