Durante transmissão ao vivo, presidente reconheceu a força do campo conservador em Santa Catarina e afirmou que pretende trabalhar para ampliar a presença da esquerda no estado, citando municípios que já foram administrados pelo PT
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu o avanço da direita em Santa Catarina a uma suposta onda de ódio e reconheceu a força do campo conservador no estado. Durante uma transmissão ao vivo realizada na noite de quinta-feira (5), ao lado do deputado federal André Janones (Avante), o petista comentou a mensagem de uma apoiadora catarinense que relatou dificuldades para atuar politicamente na região. “É uma fase que está passando em que o ódio, o vento está levando ódio. O setor de direita conservador tomou conta do estado”, declarou.
A manifestação ocorreu durante a chamada “Live da Vitória”, quando Lula respondeu a mensagens enviadas pelos espectadores. A apoiadora relatou o cenário político enfrentado por setores da esquerda em Santa Catarina e se identificou como parte da resistência política no estado.
Ao comentar a situação, Lula reconheceu que o campo conservador conquistou forte presença política em território catarinense. A declaração evidencia a dificuldade do PT e de seus aliados para ampliar sua influência em uma região onde partidos e lideranças de direita possuem espaço expressivo.
O presidente afirmou que o atual cenário não será permanente e pediu que os setores progressistas se preparem para tentar recuperar o espaço perdido. Lula declarou que pretende trabalhar para que a esquerda volte a administrar governos no estado.
Durante a transmissão, o petista também relembrou a presença histórica do PT em municípios importantes de Santa Catarina. Entre as cidades mencionadas estavam Blumenau, Chapecó, Criciúma, Joinville e Concórdia, que já tiveram administrações ligadas ao partido.
A fala de Lula também teve um componente de mobilização política. Ao se dirigir à apoiadora, o presidente procurou transmitir uma mensagem de continuidade à militância petista e aos grupos de esquerda que enfrentam dificuldades para ampliar sua participação nas disputas eleitorais catarinenses.
Outro assunto abordado foi a relação entre o governo federal e Santa Catarina. Lula rebateu críticas sobre a falta de investimentos da União no estado e afirmou que os problemas enfrentados pela população catarinense não podem ser atribuídos à ausência de recursos federais.
Para sustentar sua argumentação, o presidente comparou os investimentos realizados durante diferentes administrações federais. Lula afirmou que os governos de Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Jair Bolsonaro, somados, não destinaram ao estado um volume de recursos equivalente ao das gestões petistas.
A comparação apresentada pelo presidente provocou atenção por envolver diferentes períodos de governo e estratégias de investimento público. O debate sobre os repasses federais também evidencia a disputa política entre o governo Lula e setores conservadores de Santa Catarina.
Ao reconhecer que a direita conservadora tomou conta do estado e prometer trabalhar para recuperar o espaço da esquerda, Lula colocou Santa Catarina entre os desafios políticos de seu grupo. A declaração demonstra a preocupação do presidente com a força eleitoral do campo conservador na região e reforça a tentativa do PT de reconstruir sua presença política no território catarinense.
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