Presidente anunciou proposta de criação de uma Guarda Nacional vinculada ao novo Ministério da Segurança Pública e convocou ministros para discutir a estrutura, o orçamento e as atribuições da futura força federal
“Vou ensinar pros bandidos como é que se respeita a sociedade”: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a intenção de criar uma Guarda Nacional vinculada ao novo Ministério da Segurança Pública. A declaração foi feita na noite de quinta-feira (5), durante a chamada “Live da Vitória”, transmitida nas redes sociais ao lado do deputado federal André Janones (Avante). A proposta integra uma reformulação da estrutura de segurança pública do governo federal.
Durante a transmissão, Lula defendeu a criação de uma nova estrutura para ampliar a atuação do governo federal no enfrentamento à criminalidade. O presidente afirmou que a iniciativa responde a uma reivindicação da sociedade brasileira e destacou que pretende adotar uma postura mais rigorosa contra organizações criminosas.
A proposta da Guarda Nacional prevê uma força com possibilidade de atuação na segurança urbana e na proteção de instituições públicas. O projeto ganhou força durante as discussões sobre a reorganização do sistema de segurança pública e poderá representar uma ampliação da presença federal em atividades atualmente desempenhadas por diferentes forças policiais.
A iniciativa está relacionada à criação do Ministério da Segurança Pública, que deverá ser separado da atual estrutura do Ministério da Justiça. Para viabilizar a mudança, Lula anunciou que pretende editar uma Medida Provisória (MP), estabelecendo as condições administrativas necessárias para o funcionamento da nova pasta.
O presidente também reforçou o lema que pretende utilizar para apresentar a política de segurança do governo: “Ao trabalhador, proteção. Ao bandido, a prisão”. A declaração busca transmitir uma mensagem de endurecimento contra a criminalidade em um momento de forte pressão política por respostas mais efetivas para a segurança pública.
Para avançar com a proposta, Lula convocou uma reunião nesta sexta-feira (6) com ministros da Casa Civil, Fazenda, Planejamento e Justiça. O encontro deverá discutir os detalhes da Medida Provisória, a estrutura administrativa do novo ministério e os recursos necessários para colocar o projeto em funcionamento.
Um dos principais pontos em discussão envolve o orçamento da nova estrutura. A criação de um ministério e de uma possível Guarda Nacional exigirá definição de despesas, contratação ou remanejamento de pessoal, equipamentos e responsabilidades operacionais, questões que ainda precisam ser detalhadas pelo governo.
A proposta também levanta discussões sobre as atribuições da futura Guarda Nacional e sua relação com as forças de segurança já existentes. Será necessário esclarecer como ocorrerá a divisão de responsabilidades entre a União, os estados e os municípios, especialmente nas operações de segurança urbana.
Outro ponto importante será definir os limites de atuação da nova força e os mecanismos de coordenação com as polícias estaduais e federais. A ausência de uma divisão clara de competências poderá provocar questionamentos institucionais e debates sobre a sobreposição de funções na área da segurança pública.
Com a iniciativa, Lula tenta colocar a segurança pública entre as prioridades do governo e apresentar uma resposta política à cobrança da população pelo enfrentamento da criminalidade. Entretanto, a criação da Guarda Nacional dependerá da definição de seu funcionamento, dos custos envolvidos e das competências que serão atribuídas à nova estrutura federal.
Foto: Divulgação