DIRETOR-GERAL DA CÂMARA FATURA R$ 23 MIL EM HORAS EXTRAS: JORNADA DE SUPER-HERÓI OU PRIVILÉGIO DESCARADO?

REDAÇÃO

Valor recebido por Guilherme Barbosa Brandão levanta questionamentos sobre carga horária, transparência e privilégios na Câmara dos Deputados.

O diretor-geral da Câmara dos Deputados, Guilherme Barbosa Brandão, recebeu R$ 22.931,04 em horas extras apenas no mês de março, um valor que, segundo cálculos baseados nas regras internas da Casa, exigiria no mínimo duas horas extras diárias durante a semana, acrescidas de 18 a 25 horas nos fins de semana, uma jornada que beira o sobre-humano para um cargo de alto escalão, supostamente dedicado à gestão estratégica e não ao expediente braçal.
Essa cifra impressionante, revelada em meio a debates sobre reajustes salariais no Legislativo, expõe mais uma vez o abismo entre a realidade dos servidores públicos de elite e o cidadão comum que banca, via impostos, uma estrutura inchada e generosa em benefícios.
Enquanto milhões de brasileiros lutam para fechar as contas com jornadas exaustivas e remunerações modestas, a cúpula da Câmara parece operar num universo paralelo de “pontos mágicos” e compensações generosas, onde fins de semana viram fonte de renda extra substancial.
Tal episódio reforça a percepção de que, no Congresso, a austeridade fiscal é discurso para plateia, mas na prática prevalece o corporativismo que transforma o serviço público em fonte inesgotável de vantagens, alimentando o descrédito dessa categoria perante a sociedade.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação