LULA DEMITE PRESIDENTE DO INSS APÓS 11 MESES EM MEIO A ESCÂNDALO QUE ABALA GOVERNO

REDAÇÃO

Saída de Gilberto Waller Júnior ocorre menos de um ano após nomeação e em meio a escândalos que atingiram milhões de beneficiários.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, o procurador federal Gilberto Waller Júnior da presidência do Instituto Nacional do Seguro Social, apenas 11 meses após tê-lo nomeado para o cargo. A troca ocorre em meio a uma persistente crise no órgão, marcada por fraudes bilionárias que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas, e expõe mais uma vez a instabilidade na gestão da Previdência Social sob o governo petista.
Waller havia assumido o comando do INSS em maio de 2025, justamente para tentar conter os danos causados pelo escândalo dos descontos indevidos, conhecido como Operação Sem Desconto. Na época, o governo precisou afastar o antecessor, Alessandro Stefanutto, que acabou preso pela Polícia Federal em novembro de 2025, acusado de receber propina para facilitar o esquema que desviou cerca de R$ 6,3 bilhões de benefícios previdenciários entre 2019 e 2024, com forte concentração nos anos recentes. O caso também levou à saída do então ministro Carlos Lupi.
Agora, menos de um ano depois, o próprio Waller cai sem que o governo apresente explicações claras sobre os motivos da demissão. Durante sua gestão, o INSS continuou enfrentando críticas por lentidão no ressarcimento das vítimas das fraudes, atrasos no atendimento e dificuldades para conter novas irregularidades. A instituição conviveu ainda com depoimentos em comissão parlamentar de inquérito que revelaram omissões e resistências políticas na apuração dos desvios.
No lugar de Waller, assume a servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira, que ingressou no INSS em 2003 e ocupava recentemente cargo adjunto no Ministério da Previdência. O anúncio foi feito pelo próprio ministério, que apresentou a mudança como uma medida para acelerar análises de benefícios. No entanto, a sucessão rápida de presidentes no órgão reforça a percepção de que o governo Lula trata o INSS como um espaço de acomodação política, incapaz de promover uma limpeza profunda ou uma gestão estável.
O escândalo das fraudes, que afetou mais de quatro milhões de idosos e pensionistas com descontos não autorizados em favor de sindicatos e associações, continua sem solução definitiva para as vítimas. Enquanto isso, o Planalto acumula demissões e trocas que, em vez de sinalizar correção de rumos, destacam a dificuldade do governo em lidar com a corrupção e a ineficiência que se instalaram na Previdência. A nova presidente herda um instituto ainda marcado por filas, suspeitas e a sombra de um dos maiores roubos contra os mais vulneráveis da sociedade brasileira.
Foto: Agência Brasil