PETISTAS ALEGAM “PROPAGANDA ANTECIPADA” E PEDEM SUSPENSÃO DE DARK HORSE.

REDAÇÃO

Representações apresentadas ao TSE questionam lançamento de cinebiografia sobre Jair Bolsonaro e alegam possível propaganda eleitoral antecipada

Em mais um capítulo da estratégia de cerceamento à liberdade de expressão, parlamentares e advogados ligados ao PT protocolaram nesta terça-feira representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o objetivo de barrar a estreia do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro protagonizada pelo ator americano Jim Caviezel.
O vice-líder do governo Lula na Câmara, deputado Rogério Correia (PT-MG), e o coletivo Prerrogativas, conhecido por defender causas alinhadas ao petismo, pedem a suspensão imediata do lançamento previsto para setembro de 2026 — exatamente um mês antes do primeiro turno das eleições presidenciais. Eles alegam que a produção configuraria propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
O longa, que conta a trajetória de Bolsonaro, recebeu investimento de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao senador Flávio Bolsonaro. Em vez de debater ideias ou apresentar contrapontos, os petistas optaram pelo caminho da judicialização: questionam o financiamento, sugerem irregularidades como caixa dois e lavagem de dinheiro e exigem que o filme seja retirado de circulação até o fim do pleito.
A iniciativa repete o que ocorreu em 2022, quando o TSE, a pedido da coligação de Lula, impediu a veiculação de um documentário da Brasil Paralelo sobre o então presidente. Na ocasião, o tribunal entendeu que produções de grande porte próximas do calendário eleitoral poderiam desequilibrar a disputa — argumento agora reciclado para tentar silenciar uma obra cinematográfica.
Além do TSE, o movimento inclui pedidos ao Ministério Público e discussões sobre a criação de uma CPMI para investigar o financiamento do filme. O que deveria ser uma disputa política no campo das ideias transforma-se, mais uma vez, em tentativa de controle estatal sobre a narrativa e a cultura.
Críticos veem na ação um claro sinal de intolerância: incapazes de enfrentar o adversário no debate público, setores do PT buscam novamente o Judiciário para atuar como censor, revelando desconforto com qualquer produção que escape ao controle ideológico dominante. O TSE ainda deve analisar o caso, mas o mero gesto já expõe o reflexo autoritário de parte da base governista diante de um filme que, até prova em contrário, é uma obra legítima do setor cultural privado.
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